O Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC) vai aumentar a produtividade e o acesso aos mercados para os micro, pequenos e médios agricultores. De acordo com o director regional da Agência Francesa para o Desenvolvimento, Bruno Deprince, que falava em Malanje, onde trabalhou para constatar a realidade local, o projecto vai ser implementado através do fortalecimento da produção e comercialização, desenvolvimento de infra-estruturas, reforço institucional e melhoria do ambiente de negócios e gestão de projectos. Em 2017, Angola recebeu um empréstimo do Banco Mundial, co-financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para desenvolver o Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial, cujo valor está cifrado em 230 milhões de dólares norte-americanos. As intervenções vão decorrer em dois grandes corredores rodoviários que compreendem as províncias de Luanda, Bengo, Cuanza Sul, Huambo, Bié e norte da província da Huíla e o outro eixo vai compreender as províncias do Bengo, Cuanza Norte e Malanje. Estes corredores “foram seleccionados devido ao alto potencial agrícola comercial existente, a possibilidade de efectuar as alianças produtivas e económicas de escala com relação a adopção de novas tecnologias de produção como também a proximidade ao grande mercado urbano de Luanda”. A implementação do projecto dentro dos dois corredores, vai priorizar as províncias de Malanje e Cuanza Norte que integram o corredor (A), os municípios de Cazengo, Lucala, Cambambe, Gulungo Alto, Cacuso e Malanje, enquanto que o corredor (B) compreende os municípios de Quibala, Libolo, Cela, Mussende, Quilenda e Amboim.

Cadeias de valor
O projecto em causa, vai apoiar um conjunto de cadeias de valor, nomeadamente, milho, café, soja, feijão, dentre outros, em áreas geográficas específicas e de acordo com as prioridades do Governo. A iniciativa prevê desenvolver estudos de cadeia de suprimento nos corredores seleccionados e abrir a possibilidade de expansão dos investimentos em cadeias de suprimento adicionais para além dos cinco produtos priorizados inicialmente. A prioridade do Governo nesse domínio visa a redução da dependência das importações de produtos alimentares básicos e para o caso particular do café, o projecto surge como uma oportunidade para aumentar as receitas de exportação, contribuindo assim para a redução da dependência das receitas do petróleo. Angola, disse, oferece boas condições agro climáticas, disponibilidade de terra e água para a produção dessas cadeias de valor e especialmente para o café.

Apoiar o agro-negócio
O coordenador do projecto, Pedro Valentim, destacou que o grande objectivo é ajudar os agricultores e pequenos produtores rurais qualificados a superarem as falhas do mercado que limitam sua capacidade de adoptar melhores tecnologias, acesso mercados financeiros, melhorar suas habilidades, para além de transformar, processar e comercializar os seus produtos. Esta componente, disse, “combina com os instrumentos do projecto, como subsídios equivalentes e garantias parciais de crédito com ampla assistência técnica para capacitar grupos de agricultores e pequenos produtores rurais a apresentarem planos de negócios financiáveis, estabelecer parcerias comerciais e melhorar a sua capacidade de negócio”. Acrescentou que a componente vai ajudar a fortalecer os vínculos entre os agricultores e os agro negócios, incluindo grupos de produtores.

Garantias de crédito
Pedro Valentim sustentou que o objectivo do crédito irá promover o acesso ao financiamento para os beneficiários do projecto, reduzindo a exposição das instituições financeiras ao risco e aumentar os incentivos para a actividade agrícola. O projecto vai financiar infra-estruturas críticas de capacitação para o desenvolvimento da agricultura comercial nas áreas do projecto, incluindo a recuperação de estradas rurais, infra-estruturas de irrigação pública de pequena escala, dentre outros. O melhoramento do acesso rodoviário aos mercados vai permitir aos agricultores transportar a produção para mercados mais lucrativos e deixar de depender de intermediários que compensam elevados custos e perdas de transporte, aumentando o preço final de venda.