O projecto agro-industrial “Ezopark Horizonte 2020”, uma iniciativa da sociedade de direito angolano “S. Tulumba Investimentos e Participações”, e que está a ser implementado na localidade de Calueque, comuna de Naulila,município de Ombadja, província do Cunene, entrou na fase de produção de cereais (milho e massango), cuja primeira colheita acontece no final da campanha agrícola 2016/2017.
O acto de lançamento da primeira semente foi presidido pelo ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, na presença dos ministros da Economia, Abrahão Gourgel, da Energia e Águas, João Baptista Borges, além do director da Unidade Técnica para o Investimento Privado, Norberto Garcia.
O projecto que tem como o lema “Criamos o amanhã” abarca uma área total de 85 mil hectares. Na fase inicial serão cultivados 4.500 hectares.
O presidente do conselho de administração do grupo empresarial, Silvestre Tulumba, explicou ao JE que foram instalados e estão já em funcionamento 36 pivotes (sistema de rega), do total de 200 previstos com o sistema de rega gota-gota e por aspersão.
O empresário mostrou-se satisfeito pelo apoio prestado pelo Executivo angolano para o arranque da primeira fase, tendo informado que o primeiro passo “rumo à produção de alimentos em grande escala” está feito.
Mais de 30 tractores com respectivas alfaias, compostas por charruas, semeadores (milho, massango e trigo), tanques para insecticida estão disponíveis para o processo de produção.
“Durante muito tempo estivemos na fase de preparação das terras. Foi feita a desmatação que permitiu preparar oito mil hectares, dos quais 4.500 estão a receber a sementes nesta primeira fase”, disse, depois de revelar que a implementação do projecto iniciou em 2012.
Acrescentou que está a ser feita a correcção dos solos, antes da colocação das sementeiras. A iniciativa contará também com moageira de cereais (milho e trigo).

Mais-valia
Silvestre Tulumba informou que o projecto prevê a criação de unidades industriais integradas e uma indústria alimentar, vocacionada para a distribuição do produto um pouco por todo o território nacional. Até à conclusão final do programa, serão investidos 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos.
O projecto agro-industrial, tido como um dos maiores da região Sul abarca ainda a instalação de unidade fabril de bovinicultura, para a produção e comercialização de carne e leite, bem como a transformação de açúcar e a instalação de uma unidade para a produção de rações.
Na fábrica de rações vão ser produzidas 400 mil toneladas e as moagens 250 mil de farinha e farelo e na de avicultura prevê-se a produção de 60 milhões de frangos, 500 mil unidades de galinhas e 45 mil milhões de ovos. Numa primeira fase, explicou Silvestre Tulumba, foram criados 700 postos de trabalho nas mais diversas áreas.

Combate à pobreza
Por sua vez, o ministro da Agricultura, Marcos Alexandre Nhunga, destacou o contributo que o projecto agro-pecuário irá proporcionar no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza e na diversificação da economia.
Marcos Alexandre Nhunga que falava à imprensa, à margem da cerimónia do lançamento da primeira semente do projecto agro-industrial “Ezopak Horizonte 2020”disse que está acção deve merecer todo apoio, “por ser um contributo valioso nas acções de diversificar a economia”.
O governante informou que a produção de alimentos em grande escala é um pressuposto inserido na implementação do programa de diversificação da economia, onde a participação de investidores privados é importante.
“Estamos certos do contributo que o projecto vir a ter, em conformidade com os objectivos que o Executivo angolano tem estado desenvolver”, frisou.

Contributo valioso
Na ocasião, o ministro da Economia, Abrahão Gourgel, reconheceu o contributo valioso que o projecto vai proporcionar no sector produtivo nacional.
O ministro esclareceu que o projecto também enfrentou algumas dificuldades em termos de aprovisionamento de matérias-primas, com realce para os insumos agrícolas, devido a questões cambiais.
Informou que o Executivo angolano, através do Ministérios da Economia e da Agricultura, com o apoio do Banco Nacional de Angola intervieram no processo, o que permitiu com que as sementes e fertilizantes necessárias para o início do processo de produção fossem adquiridos.