A implementação dos projectos agro-pecuários no Moxico, iniciada em 2010, na perspectiva de garantir a segurança alimentar aos cerca de um milhão de habitantes, encontra-se paralisada devido à crise económica e financeira.
Com efeito, projectos como o Agro-Pecuário de Sacassange e a Fazenda Agro-Industrial de Camaiangala, bem como a reabilitação do Perímetro Irrigado do Luena, iniciada em 2008, foram afectados pelo actual contexto.
Gizados pelo governo provincial e financiados pelo Estado, os programas visavam o reforço da produção das culturas que constituem a base da alimentação da população local.
Aproveitando a estabilidade resultante da paz conquistada pelo país, em 2002, a província tinha obtido avanços no tocante ao fomento da produção, incluindo mais de 40 mil famílias regressadas das zonas em que se tinham deslocado ou refugiado durante o conflito armado.
A meta era o alcance, o mais rápido possível, de níveis de segurança alimentar próximos dos da época colonial, em que o Moxico era potência produtiva e exportadora de arroz, mel e cera, mas a falta de dinheiro, aliada à má gestão dos recursos financeiros, inviabilizaram a execução dos programas.
Antes da crise financeira, originada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, a paz também estava a viabilizar a implementação do Programa de Desenvolvimento Rural, com a introdução de tecnologias modernas, na expectativa de melhorar e aumentar a produtividade.
Além da crise financeira, a estiagem na região é outro factor que prejudica as culturas, daí que a produção agrícola deste ano, estimada em 1.092.065,6 toneladas de produtos diversos, não será alcançada, de acordo com o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, António Augusto da Silva.
Prognosticando uma baixa produção na ordem de 45 por cento, o responsável afirmou que os resultados da colheita da campanha agrícola 2018/19 não serão satisfatórios, com destaque para as culturas de cereais, leguminosas, oleaginosas e da actividade pesqueira.
Cerca de 151.714 famílias camponesas e 575 pequenos produtores estão envolvidos nas actividades agrícolas na província, sendo que 39.800 famílias são apoiadas pelas administrações municipais e a Organização filantrópica Federação Luterana Mundial (LWF).
Para a presente época agrícola, tinham sido preparados pelo menos 136.546 hectares para o cultivo de produtos diversos, 136.232 dos quais de forma manual e 28 através da tracção animal.
O director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas lamentou o fracasso da campanha agrícola, apesar de se ter aumentado a quantidade de insumos, com a distribuição de 29.5 toneladas de adubos, 9.75 de ureia, igual número de amónio, cinco de sementes de milho, 2000 catanas, mil pás, 300 enxadas, 200 machados e 15 charruas de tracção animal.
O director do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Eduardo Vieira, frisou que factores ambientais também influenciaram negativamente os resultados da colheita deste ano, estimada no quadro do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR).
A escassez de chuva, no princípio da época agrícola, foi por si apontada como principal factor que contribuiu para a fraca produção agrícola, explicando, que em determinadas áreas, as sementes lançadas à terra em Setembro de 2018 secaram e as semeadas em Novembro tiveram uma colheita razoável, porque as chuvas foram regulares até ao mês de Janeiro.
Eduardo Vieira disse recear o surgimento de insegurança alimentar, salientando que a cultura do feijão, milho e cucurbitáceas (abóbora, melancia, bucha, cabaça (cuia), abobrinha, pepino) é a que mais riscos correm.