A estrada secundária que liga a Rotunda do Camama, no município do Kilamba Kiaxi e a do Calemba II do mesmo município, está mesmo degradada. Os buracos anunciam o quanto precisa de uma urgente intervenção. Mas aí está, não é preocupação nova. Sai ano, entra ano, e o quadro teima em não se alterar. Consta que há cinco anos foi asfaltada. E a ser verdade, cabe a máxima, a qualidade temo seu preço. Ou seja, o barato sai caro. Se gerou sorriso aos automobilistas, hoje agita os eurôneos. Ultrapassar as crateras tem sido uma verdadeira odisseia. Como disse alguém durante o nosso registo, “é só aguentar”. Não foi nossa a resposta, ouviu-se: “Tudo tem limite”. E parece ter mesmo. Todos queriam dizer algo sobre as estradas “inacabadas”. Há quem aproveitasse para falar do estado insuportável de algumas estradas nacionais. “Queres estragar o teu carro, mete na via de Benguela”, disse um jovem ao seu amigo. Mas a nossa missão não era a de registar cada desabafo. Entretanto, deu para perceber que as estradas estão na boca das pessoas pela negativa. Há que melhorar efectivamente. O troço que deve merecer intervenção é enorme. E nesta altura, a invasão de um turbilhão de poeira é recorrente. Uma chinesa passa por nós com meio rosto coberto. Claro que não precisamos perguntar as razões. O pó faz mal a saúde e a necessidade de se evitar doenças deve engajar a todos. Mais vale prevenir do que depois ter de correr aos hospitais que são o que são em termos de assistência médica e medicamentosa. Uff... Estamos no bom tempo. Melhor, já não há chuva. Quando chove, tudo se transforma num “salve-se quem puder”. A intransitabilidade é abrangente. Tudo se mistura e confunde entre o lamaçal. No tempo chuvoso, consegue-se ter a noção de que há muito trabalho para se fazer. Se se faz, então se faz mal. Há quem considere a chuva como o “grande fiscal” das obras mal concebidas e executadas. Poderiamos dizer, “deixa a vida nos levar”, como alguém cantou mas no nosso caso já não se aplica. A questão da mobilidade é fundamental. Subjaz aqui e também a qualidade de vida. Ok, aí está, diriam outros, que se aproveite o tempo seco para se reparar as estradas. Este apelo é ouvido? Para a resposta, basta olhar para esta porção de estrada na foto. Os factos obviamente falam por si. E como o terreno se tornou lamacento, nesta altura, eis a questão! Jorge Carlos, ao volante de um Toyota VX, lamentou que anteriormente fazia 15 minutos para o percurso dos 10 quilómetros. Actualmente, por causa dos buracos que também vão provocando engarrafamento, demora quase 25 minutos para transpor os obstáculos. Ele vive no município de Viana, na zona do Luanda Sul. Trabalha numa empresa no Talatona. A via do Calemba II facilitava-lhe chegar rápido ao local de trabalho. “Agora está difícil. A estrada está toda esburacada com uma profundidade grande, a poeira entra por todos os cantos. É necessário que o Governo reabilite a estrada”, aconselhou. Maria Candove teve um problema com o carro resultante dos transtornos na via e lá está o velho desabafo na hora da aflição: “Pago seguro e taxa de circulação e o resultado é este”. Confidenciou que já tinha quebrado os amortecedores e que as estradas o querem continuar a desembolsar sempre o que mal já tem. O sol se escondia e nós tinhamos de nos retirar. Porque se fechava a cortina da estrada e se abria a da insegurança. Não há postes para iluminar a estrada.