O plano nacional estratégico de gestão de resíduos urbanos (PESGRU), aprovado pelo Executivo angolano em 2012, prevê um investimento de cerca de 136,3 milhões de kwanzas (1,4 milhões de dólares) até 2020. A informação foi avançada recentemente, em Luanda, pela ministra do Ambiente, Fátima Jardim, no final do II congresso internacional sobre gestão de resíduos em África, realizado, nos dias 22 e 24 do mês passado.

Com este investimento, o Executivo angolano pretende que no futuro haja separação na recolha do lixo e a criação de aterros sanitários em todo o país, assim como a recolha imediata do lixo que se produz diariamente.  

Segundo a governante, este projecto contará com a participação de empresas privadas para a garantia de responsabilidade social e criar mais postos de trabalho.  A ministra apelou ao investimento privado neste sector para que o façam com maior responsabilidade e de forma sustentável. A ideia é que  Angola possa num futuro ter orgulho da implementação deste projecto.

Para a implementação com êxito do programa, o Ministério do Ambiente constituiu uma comissão que trabalhará nas 18 províncias para avaliar os locais onde serão instalados os aterros e as formas de colocação dos resíduos, assim como realizarem em primeira instância a elaboração de estudo do impacto ambiental, licenciamento e auditorias aos locais que servirão de aterro na implementação do projecto.

Estratégia  
Até 2025, as orientações estratégicas previstas na projecção futura à produção de resíduos em Angola, atinjam em 8,6 milhões de toneladas por ano, equivalente a uma captação diária de 0,81 quilogramas habitante por dia, valores que representam um aumento de 150 por cento, face a 2012 que foi de 75.

A responsável apelou para a necessidade de maior consciencialização da população para o problema do lixo e suas consequências, promovendo palestras, nas escolas, igrejas, nos bairros, empresas e comunidades.

Durante o evento, foi lançado o manual sobre recolha selectiva de resíduos em Angola, que inclui os métodos e metas das taxas de reciclagem de vidros, plásticos, metais e outras tipologias de resíduos, até 2022.

Encontro
O II congresso internacional sobre gestão sustentável dos resíduos em África foi organizado pelo Ministério do Ambiente em parceria com a associação internacional de resíduos sólidos e a associação portuguesa de engenharia ambiental. Nesse encontro, os participantes procuraram criar consenso relativamente à gestão sustentável de resíduos em África, na base da aplicação de métodos e tecnologias mais limpas que valorizem o ambiente, razão pela qual o Executivo angolano está preocupado com a recolha selectiva e diferenciada de recursos, face a produção avançada de lixo que no país atinge anualmente mais de quatro milhões de
toneladas de resíduos.

O projecto que este investimento servirá também para que o país possa criar até final de 2017 uma agência dos resíduos, cuja função será regular, fiscalizar e lançar as bases para um sistema de recolha selectiva e diferenciada. Um projecto que inclui o tratamento dos resíduos hospitalares e industriais.

Angola acolheu igualmente, em 2012, na província de Benguela, o I congresso internacional sobre gestão sustentável de resíduos em África.