A rentabilização e optimização das estradas, que ligam os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) poderá facilitar as trocas comerciais. Esta posição foi defendida pelo o director daAssociação das Agências Nacionais de Estradas da África Austral (ASANRA), Nelson Kundengue, de nacionalidade zimbabweana, quando falava na 24ª reunião da Asanra, realizada recentemente em Luanda, onde foram traçadas novas linhas de actuação.

“Temos de conservar as estradas que podem facilitar a circulação entre os membros da SADC e facilitar as trocas comerciais e a circulação de pessoas e bens”, destacou.

Segundo o plano mestre revisto do desenvolvimento de infra-estruturas regionais (RIDMP), a rede rodoviária da SADC é um dos activos do sector público maiores da região.

A produtividade em todos os sectores da economia é afectada pela qualidade e desempenho do sistema rodoviário. Portanto, é essencial que este bem vital seja gerido de forma eficiente e eficaz, invariavelmente, dentro de uma situação orçamental restrita, em apoio ao desenvolvimento socioeconómico de crescimento e desenvolvimento da região.

Estradas eficientes
Na ocasião, o director-geral do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), António Resende alertou aos especialistas para a obtenção, a curto prazo, de estradas com eficiência na circulação rodoviária, conforme os pressupostos do protocolo da Comunidade de Desenvolvimento para a África Austral (SADC) sobre transportes e comunicação.

A fonte defendeu um diálogo permanente para busca de ideias, novas soluções e resultados para a implementação da política de harmonização de melhores serviços nas estradas de África.

Padrões rodoviários
Estimava-se que cerca de 50 por cento da rede rodoviária principal pavimentada na SADC estava em boas condições e a restante classificada como regular apenas. Botswana, Leshoto e Namíbia têm particularmente bons padrões rodoviários e cerca de dois terços das estradas sul-africanas e do Zimbabwe estão em boas condições. No Malawi, Swazilândia e Tanzânia, cerca de 55 por cento das estradas estão em boas condições e esta proporção é um pouco mais baixa na Zâmbia onde são apenas 40 por cento. Em
Moçambique e Angola, as estradas estão a melhorar.

Nestes dois países, um programa em curso de reabilitação tem melhorado as condições das estradas, cuja rede das principais não pavimentadas está em condições consideravelmente regulares e a de pavimentadas com menos de 40 por cento em boas condições.

Segundo uma fonte da organização regional, a condição das estradas é afectada pela carga de tráfego. O seu volume na maioria das principais estradas regionais é baixo, raramente excedendo 2.000 veículos por dia, excepto perto das áreas urbanas e é, geralmente, menos de 1.000 veículos por dia. A excepção principal é a África do Sul, onde até 120.000 veículos por dia são encontrados nas estradas de duas vias próximas às áreas metropolitanas e na ordem de 60.000 a 80.000 veículos por dia entre as grandes cidades.

Custo de manutenção
A fonte que temo vindo a citar, destaca que uma questão importante em toda a região é o custo da manutenção. Apesar dos grandes investimentos que foram feitos no passado em infra-estruturas de transporte rodoviário, a gestão ineficiente e um financiamento insuficiente levaram à deterioração das condições das estradas e custos de transporte aumentados em muitos países da SADC.

As abordagens tradicionais de gestão de estradas e financiamento que contam com a gestão das estradas através de um departamento do Governo e com o seu financiamento através de atribuições orçamentais gerais, não têm, de um modo geral, funcionado de modo aceitável.

Novos métodos são necessários para estabelecer as prioridades e financiar a procura crescente para o fornecimento e manutenção de uma rede de infra-estruturas de qualidade de transporte rodoviário. Isto inclui o transporte de passageiros e o de mercadorias. Os custos do transporte rodoviário são competitivos em relação ao ferroviário e a qualidade de serviço é geralmente melhor. Como consequência, o transporte rodoviário é agora um componente importante do sistema de transporte regional e internacional, ligando os países sem litoral, refere o documento.

Debates
No encontro, os especialistas discutiram questões relacionadas com a gestão e financiamento de rede, materiais e padrões de desenho, construção e manutenção, segurança rodoviária, pesquisa e desenvolvimento, além da transferência regional de tecnologias. O principal objectivo da Asanra é elevar a coordenação política regional e a integração dos sistemas de transportes rodoviários com vista a melhorar a eficiência do transporte inter-regional.

Os participantes abordaram igualmente questões relacionadas com os projectos que visam melhorar procedimentos em matéria de gestão da malha rodoviária regional promover o desenvolvimento e a melhoria dos métodos de gestão, planificação, pesquisa, projecto, construção e manutenção de infra-estruturas rodoviárias.