O cenário pouco animador que o preço do petróleo, principal fonte de receitas e de asseguramento da sustentabilidade do país continua a registar no mercado internacional, está a obrigar que os outros sectores adoptem novos paradigmas de actuação. É o caso do sector da Energia e Águas, que provavelmente, terá de reequacionar algumas das suas estratégias e projectos, através da “redução de algumas gorduras e melhor configuração à nova realidade”. Segundo o titular da pasta, João Baptista Borges, quando discursava na secção de cumprimentos de fim-de-ano, acto realizado em Luanda, para os trabalhadores, disse que o sector já está a observar estes procedimentos, com realce para a gestão das empresas de distribuição de energia eléctrica e de água, com a actualização de tarifas, mas também da eficácia dos sistemas de cobrança dos consumos. Com base nos indicadores, o gestor diz não esperar que 2019 seja um ano em que se terá já o conforto de injecção de recursos financeiros que permita avançar com a dinâmica imprimida há alguns anos, na implementação das acções programadas ao abrigo da visão nacional indicadora do desenvolvimento do sector até 2025, que prevê uma taxa de consumo per capita de aproximadamente 1.230 kWh (3.3 vezes que o valor actual). Ainda assim, o ministro chamou a atenção as empresas do sector para melhorarem a sua organização e funcionamento, tendo chamado a atenção aos conselhos de administração atitudes visionárias e proactivas não só para a rentabilização dos serviços.“É necessário que ao nível local se desenhem estratégias, que conduzam ao aumento gradual da capacidade de oferta de serviços, do alargamento da rede de beneficiários, crescimento das receitas com o incremento das cobranças que, com rigor na gestão e maior pressão, podem cobrir acções de aumento das capacidades instaladas, manutenção e substituição de meios e equipamentos, num processo conjugado de descentralização que no espaço de dois anos terá enquadramento autónomo, no funcionamento das autarquias”, disse.

Novos desafios
João Baptista Borges disse que o país vive um período de mutação e de novos desafios, daí impõe-se a cada “um de nós” uma atitude de maior empenho e de entrega nesta causa.
“A nossa meta é também a de contribuir para impulsionar o relançamento do processo de diversificação da economia, por forma a que nos libertemos dessa excessiva dependência do petróleo”, sublinhou.
Precisou que o sector é fundamental para esse estágio, “pelo que também temos que deixar de constituir um peso sobre os ombros
da governação”.
“Temos que ter capacidade para funcionar com um sector agregador de serviços e de competências e, concomitantemente, gerador de recursos e não só como um sorvedouro de recursos públicos”, augurou.

Diálogo permanente
O ministro da Energia e Águas entende ser necessário aprimorar a relação entre as empresas de água e electricidade com os consumidores. Para ele, é preciso investir mais no estreitamento dessa relação, para que o consumidor entenda que tem ganhos ao pagar o que consome.
“Ninguém quer pagar para ser mal servido, independentemente das razões objectivas ou subjectivas que condicionam o funcionamento e a prestação das empresas, pelo que, deve-se adoptar posturas e procedimentos de facilitação do diálogo, ou a comunicação efectiva entre as partes”, precisou.
Por outro lado, chamou a atenção às direcções das empresas do sector para que estejam abertas ao diálogo com os seus próprios trabalhadores ou seus representantes, para se evitar o endurecimento de posições em defesa de interesses, que, “no fundo, não são antagónicos, porque o funcionamento das empresas públicas
visam o bem comum”.
Para o governante, os trabalhadores devem ter igualmente em primeira linha de conta, já que, como destacou “só com o seu engajamento se poderá alcançar a rentabilidade das empresas, que para além de assegurar a realização de mais investimentos, conduzirá a melhoria da compensação salarial e das condições ou regalias sociais”.