Superar a produção de 500 toneladas de cacau comercial por ano, que as antigas fazendas de Cabinda produziam e exportavam para os Estados Unidos da América e Europa, antes e depois da Independência, é o principal desafio do governo da província, no âmbito do programa de relançamento da actividade desta cultura, no seio dos agricultores, com o objectivo de dinamizar o desenvolvimento económico da região.
O relançamento da cultura do cacau está inserido no Plano Provincial de Desenvolvimento 2013/2017, no quadro da política do Executivo Central, de diversificação da economia para obtenção de divisas, com vista a tornar o crescimento económico do país mais forte.
Para garantir a sustentabilidade de produção, transformação e comercialização do cacau, o departamento provincial do Instituto Nacional do Café montou, no município do Buco-Zau (por possuir um clima florestal favorável), um viveiro onde foram plantados 300 mil mudas de cacau que vão cobrir uma área de 272 hectares para o sector camponês.
No sector empresarial, o programa identificou alguns empresários locais, nacionais e estrangeiros interessados em produzir cacau numa área de 400 hectares nos municípios de Cabinda, Cacongo, Belize e Buco-Zau.
Das 300 mil mudas de cacau, 91 mil plantas de cacau vão ser entregues, numa primeira fase, aos 316 agricultores distribuídos em cooperativas. Deste número, 94 pertencem a cooperativa de Cabinda, 22 do Cacongo, 44 do Buco-Zau e 156 do Belize.
As sementes são adquiridos localmente e prevê-se aquisição de outras provenientes
de São Tomé e Príncipe.

Produção de café

A par do relançamento da cultura do cacau, o governo de Cabinda está igualmente apostado no cultivo do café mabuba e do palmar para transformação do dendém em óleo de palma, que no passado, contribuíu na arrecadação de receitas aos cofres do Estado.
O chefe do departamento provincial do Instituto Nacional do Café, Alector de Araújo, não avançou a quantidade de toneladas que serão colhidas numa época agrícola, mas, avançou que, os viveiros criados com capacidade para produção de 120 a 200 mil plantas de café vão contribuir na produção excelente do “bago vermelho” na região.
Segundo ele, os principais agricultores que se dedicavam a estas culturas emigraram para a RDC e o circuito comercial diminuiu. Por isso o executivo apostou na recuperação dessas culturas com o regresso dos agricultores após o fim do conflito armado.
“Para assegurar a produtividade e a comercialização das culturas do cacau, café do palmar, o Executivo aprovou em Conselho de Ministros, o Decreto Presidencial nº 40/16, que define o relançamento dessas culturas, consideradas importantes para a economia nacional e por terem uma cotação excelente no mercado internacional”, disse.
Para Alector de Araújo, durante vários anos, o país deu mais atenção ao petróleo, agora, em função das orientações da diversificação da economia é preciso dar um novo impulso nas culturas do cacau, café e do palmar.

Financiamento garantido

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai garantir o financiamento dos projectos das cooperativas que estão a ser inseridas no programa de relançamento das culturas
de café, cacau e do palmar.
Para o Alector de Araújo, está a ser feito um estudo de viabilidade das culturas de café, cacau e do palmar, desde da produção, transformação e comercialização para que as cooperativas possam ser financiados pelo BAD.
Assegurou que no programa do BAD, existe dois tipo de crédito, a de campanha e de investimento. De campanha facilita a cooperativa contratar a mão de obra para colheita
e transportação do produto.
O crédito de investimento permite a cooperativa ampliar área de produção, capinar, podar, limpar, plantar novas culturas e esperar a colheita dentro de três a quatros para
transformação e comercialização.

Mais emprego

De acordo com Alector de Araújo, o programa está a permitir a criação de emprego nas zonas rurais o que contribui na diminuição dos índices do desemprego no seio
das famílias camponesas.
“As pessoas estão a interessar-se nessas culturas, porque garantem rendimentos às famílias. O café, cacau e o palmar são valorizadas e os agricultores que deixaram essas culturas estão arrependidas, porque só se interessam em produzir banana e mandioca”, disse, apelando as pessoas a regressarem ao campo para se dinamizar
agricultura na região.

Mais incentivos

No seu Plano Provincial de Desenvolvimento 2013/2017, o governo de Cabinda prevê o relançamento de várias culturas, como por exemplo o café, cacau e palmar, já que considera fundamental para província, no âmbito da diversificação da economia.
A governadora Aldina Catembo disse recentemente em Cabinda que um total de 300 famílias camponesas estão dispostas a reactivar a produção
do café, cacau e do palmar.
“Estão também identificados os empresários que além de apostarem na produção, vão garantir a sua transformação. Este programa vai garantir emprego as pessoas interessadas no desenvolvimento destas culturas, facilitando assim a produção, exportação e transformação a partir de Cabinda”, referiu.
Segundo dados do Instituto Nacional de Café, em Cabinda, a província antes da conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, foi uma potencia a nível do país, na produção de café, cacau e do palmar, com fazendas que atingiam
entre 500 e 700 hectares.