O engenheiro agrónomo Pascoal de Castro considera que o resgate à favor do Estado, dos seis projectos de desenvolvimento agro-industrial vai alavancar o sector e contribuir para a segurança alimentar, aliado a proporcionar novos postos de trabalho.
Para o especialista, não basta ter dinheiro para “lavrar a terra” é preciso vontade de ver o país a crescer, e olhar para o custo elevado do alimento da cesta básica nas zonas urbanas.
“Não se pode transformar as terras com tanto potencial agrícola, para áreas de lazer. É necessário cumprir com os objectivos pelos quais foram adquiridas às terras ao Estado”, disse.
Segundo a fonte, há ainda muitos projectos que precisam ter o mesmo fim, já que “muitas fazendas estão invadidas com capim e não têm indicadores de produção”.
“É preciso que se retire estes projectos das mãos de pessoas que não trabalham e se entregue a pessoas engajadas”, frisou.
Acrescenta que, há uma “letargia” ou sub-aproveitamento por parte de alguns projectos para o desenvolvimento do país, apesar de muitos deles já terem recebido financiamentos.
Por sua vez, o produtor instalado no planalto central Alfeu Vinevala aponta que foi uma medida acertada, porque quase nada foi feito nestes projectos.
“Só ouvimos falar da existência destes projectos, mas na prática nada foi produzido. As pessoas aproveitavam-se apenas das terras para obterem financiamentos, no fundo nada fizeram”, sublinha Alfeu Vinevala, o também considerado como sendo um dos maiores produtores de batata rena e milho na região.
Por outro lado, o produtor tradicional de café radicado no Norte de Angola, Mário Vasco, apela que os concursos públicos que serão abertos para os projectos agrícolas, sejam transparentes para melhorar o aproveitamento da terra.

Medida do Executivo
Para garantir maior produtividade e rentabilidade no sector agro-industrial, o Executivo angolano vai submeter a um concurso público seis projectos em estado inoperante, e eivado de vícios aquando da sua atribuição.
Tratam-se dos projectos Agro-Industrial da Fazenda do Longa na província do Cuando Cubango, de Desenvolvimento Agrícola de Camaiangala ( Moxico), de Desenvolvimento Agro-Pecuário do Manquete (Cunene) , de Produção de Milho e Tilápia, denominado Fazenda Agro-Industrial de Camacupa (Bié), de Desenvolvimento Agrícola de Sanza Pombo (Uíge).
O projecto Agro-Industrial da Fazenda do Longa, na província do Cuando Cubango, foi anteriormente concedido à Sociedade Cakanduiwa, SA, enquanto o projecto de Desenvolvimento Agrícola de Camaiangala, na província do Moxico, anteriormente tinha sido concedido à Sociedade de Exploração Agrícola da Kadianga, SA.
Já o de produção de milho e soja, denominado Fazenda Agro-Industrial do Cuimba, na província do Zaire foi anteriormente concedido à Sociedade da Cakanyama, SA, ao passo que o de Desenvolvimento Agro-Pecuário do Manquete, na província do Cunene, foi anteriormente concedido à Sociedade Makunde, SA.
O projecto de Produção de Milho e Tilápia, denominado Fazenda Agro-Industrial de Camacupa, na província do Bié, tinha anteriormente sido concedido à Sociedade Agrícola-Cakanguka, SA, enquanto o Projecto de Desenvolvimento Agrícola de Sanza Pombo, na província do Uíge, foi anteriormente concedido à Sociedade Cakanyama, SA.
Com esta medida, pretende-se imprimir nova dinâmica nas propriedades agrícolas, e cumprir com a implementação da política de diversificação da economia.