A construção de uma nova ponte cais de águas profundas de Saco-Mar e do novo terminal de contentores do porto Comercial do Namibe, no quadro do projecto integrado de desenvolvimento da Baía do Namibe, orçado em 600 milhões de dólares vai dinamizar a actividade portuária na região, com destaque para a exportação de mineiros (ferro) para o exterior do país, disse em entrevista ao JE, o presidente do Conselho de Administração (PCA), António Samuel. Falando à margem do I Conselho técnico do subsector da Marinha Mercante e Portos, que o município do Soyo acolheu, recentemente, o gestor disse que os estudos sobre o projecto para construção da nova ponte cais de Saco-Mar na parte Norte do porto comercial do Namibe, estão em fase conclusiva e o arranque das obras previsto para Setembro. O referido projecto integrado de desenvolvimento da Baía do Namibe está subdividido em duas partes, sendo a construção de uma nova ponte cais de águas profundas do Saco-Mar e outra que tem a ver com a implementação do novo terminal de contentores do porto comercial, num pacote financeiro global de 600 milhões de dólares.

“Quer o projecto de construção da nova ponte cais de águas profundas de Saco-Mar orçado em duzentos milhões de dólares, quer do novo terminal de contentores do porto comercial do Namibe que conta com um orçamento de 400 milhões, foram financiados pela linha de crédito do governo japonês no âmbito da cooperação entre os dois povos”, avançou.

Exploração mineira
O gestor do porto comercial do Namibe disse ainda que, “com a retomada da exploração mineira na localidade da Jamba, província da Huíla, o Executivo angolano achou por bem construir uma nova ponte cais de águas profundas do Saco-Mar, cujas dimensões estão por definir, uma vez que a pesquisa e os estudos preliminares
estão ainda em curso”.
A nova ponte cais do terminal de Saco-Mar, como avançou, vai estar mais vocacionada à exportação de minérios para a diversificação da economia, daí o interesse e o empenho por parte do Governo angolano em ver a infra-estrutura reabilitada até 2022, no sentido de poder pôr em funcionamento aquele monstro adormecido
há mais de 40 anos.
“A infra-estrutura de Saco-Mar poderá dar outro dinamismo ao escoamento do minério da Jamba ao Porto do Namibe para ser exportado a partir da nova ponte cais, dando uma outra dinâmica ao crescimento económico, bem como à criação de novos postos de trabalho, com destaque para a juventude local, e na melhoria das condições sociais
dos angolanos”, vaticinou.
Segundo o PCA do porto do Namibe, o arranque e conclusão das obras de construção da nova ponte cais de Saco-Mar, constitui uma lufada de ar para aquela empresa portuária da região Sul do país, que viu reduzidas as suas receitas, em consequência da crise
financeira que assola o país.
“Todo este investimento que o Executivo está a fazer, no nosso entender é o melhor que se pode esperar para qualquer Porto, uma vez que, vai alavancar as actividades portuárias e aumentar receitas para a economia do país”, apontou.
O gestor acrescentou que “os projectos estão no bom caminho e dentro de três anos, o porto do Namibe terá outra imagem naquilo que pretendemos para as unidades que estão
em via de desenvolvimento”.

Movimento portuário do Namibe conhece afrouxamento

A empresa portuária viu reduzir o movimento de navios e consequente movimentação de carga e descarga, em consequência da crise financeira que assola o país.
O ano de 2018 em relação ao período homólogo de 2017, houve uma redução no fluxo de navios que escalaram o Porto do Namibe na ordem de 2,1 por cento, tendo registado 238 navios, contra 243 do ano anterior, dos quais 93 de longo curso
e 145 de cabotagem.
“Os indicadores de produção relativamente ao tráfego de mercadorias continuam abaixo dos níveis registados nos períodos áureos, devido a retracção da economia nacional. O ano 2018 foi superior ao volume de carga, cujo total foi de 990.874 toneladas, contra 848.497 movimentadas em 2017”, disse.
Em termos de carga geral, houve um ligeiro aumento na ordem de 8,3 por cento em 2018, comparativamente a período homólogo.
Na carga mecanizada, o predomínio recai para a descarga de combustíveis diversos.

Produção
A actividade produtiva do porto do Namibe continua a ser fortemente influenciada pela importação e exportação de produtos, bem como a nível de cabotagem pelo desembarque de combustíveis a granel, verificando um aumento de 97.313 toneladas (32%) da carga mecanizada comparado ao ano de 2017.
No que toca ao tráfego de contentores, o porto do Namibe teve uma redução de 648 Teus, pelo facto dos grandes navios que aportaram na província terem transportado menor número de contentores e mercadorias.
“A diminuição verificada deveu-se ao facto de os navios de longo curso que escalaram o porto terem transportado menor número de contentores e mercadorias”, avançou.
A carga contentorizada totalizou a 463.891 toneladas, o que representa uma variação positiva de 0,4 por cento em relação a 2017.
O porto do Namibe tem uma extensão de cais linear de 875 metros (m), com três pontos de atracação, comprimento de 480 m, profundidade de 10.5 m de calado. JF

Terminal melhora serviços de carga e descarga local

A construção de um novo terminal de contentores, no Namibe, está orçada em 400 milhões de dólares americanos. A primeira fase foi concluída em Maio último, com o objectivo de melhorar os serviços inerentes às actividades portuárias na região.
“Está também em modernização o porto comercial do Namibe. Onde se destaca a construção do novo terminal de contentores que tem um comprimento linear de 288 metros de cais e 14 outros de profundidade, na zona Norte do terminal do porto comercial do Namibe, com vista a melhorar todas as actividades portuárias na região”, disse
o PCA da empresa portuária.
O projecto integrado também na linha de crédito do governo japonês contempla, igualmente, meios operacionais e modernos para a execução
das actividades portuárias.
A conclusão do novo terminal de contentores vai permitir o aumento de capacidade de carga e descarga e pôr a empresa num elevado patamar.
“A partir deste pressuposto eleva-se a empresa a um patamar de maior concorrência, tendo em consideração o seu posicionamento geográfico, quer no ponto de vista interno, quer externo, podendo permitir uma concorrência com o Lobito (Benguela) e o porto de Walvis Bay, na Namíbia”, acrescentou.
As obras de execução do projecto integrado da Baía do porto do Namibe estão a cargo do consórcio Toyota Tsusho Corporation e TOA Corporation, cujo empréstimo foi segurado pela Nippon Export and Investiment Insurance.