O projecto Fazenda Pungo Andongo em Cacuso vai ajudar a impulsionar o crescimento do sector agrário na província da palanca negra gigante


Numa altura em que o combate à pobreza e à fome se assume como umas das ingentes tarefas do Governo Central, a agricultura acaba por jogar um papel preponderante na consecução desse desiderato, conforme defenderam agricultores entrevistados pelo Jornal de Economia & Finanças em Malanje, uma província com um potencial agrícola muito grande e onde pontifica a rara e imponente palanca negra gigante.

O engenheiro agrónomo que assume a direcção da Fazenda Pungo Andongo, Cláudio Brás Pimentel, considera esta unidade de produção agrícola do município de Cacuso, uma reserva estratégica do Governo Central. À luz disso, como afirma, tem também a missão de contribuir para a edificação de “uma Angola sem fome”.

O projecto agro-industrial Fazenda de Pungo Andongo, localizado em Cacuso, a cerca de 65 quilómetros da sede provincial, constitui, na verdade, um factor que pode servir de mola impulsionadora para o crescimento da produção agrícola, não só a nível de Malanje, mas no país, de uma forma geral.

Sendo a agricultura um património que ajuda a edificar o crescimento económico do país, deve-se prestar especial atenção aos agentes do sector, sobretudo pelo facto destes se confrontarem com um rol de dificuldades no exercício da sua actividade.

Dificuldades

A nível de Malanje, por exemplo, os produtores agrícolas queixam-se das inúmeras vicissitudes por que passam. Falta-lhes de tudo um pouco, desde os meios mecanizados aos financeiros, para levarem avante a sua tarefa. Alguns deles, como é o caso de Noé Gomes, proprietário da fazenda de Matete, em Cacuso, limitam-se a fazer o que está ao seu alcance, com realização de algumas tarefas paliativas aqui e acolá. Na ronda feita pelo JE em Malanje à volta da produção agrícola local constatou-se que no meio de tantas as dificuldades por que passam os agricultores, consta também o “velho problema” da inacessibilidade aos financiamentos bancários.

“Temos andado atrás de financiamentos e nunca tivemos a sorte de os conseguir”, gritam, em tom de socorro, muitos deles. Para fazer face a isto, eles dizem que o Governo e as estruturas de direito devem facilitar o processo de concessão de financiamentos aos agricultores.

As instituições bancárias, na medida das suas atribuições e viabilidades, devem apoiar as iniciativas dos produtores agrícolas, pelo facto de a sua actividade poder traduzir-se numa alavanca para o desenvolvimento do país. Disso, ninguém pode duvidar. A agricultura pode gerar riqueza, assim como acontece com o petróleo, com os diamantes e outros recursos minerais. Em Malanje, assim como em outros pontos do país, temos grandes parcelas de terras aráveis que podem relançar o desenvolvimento do país.

Brigada de mecanização

Por conseguinte, advinham-se tempos de bonança para a fazenda de Mateta, em Cacuso. A mesma vai beneficiar de uma brigada de mecanização agrícola, que comportará quatro máquinas novas e abrir-se-á desse modo o caminho para o redimensionamento da sua produção.

Com a entrada em funcionamento desta brigada, outros agricultores de Malanje podem recorrer aos seus serviços para elevar os níveis de produção das suas parcelas de terra. Mas, para tal, terão de pagar pela prestação de serviço das máquinas por cada hectare utilizado, dado que estas têm custos e precisarão de fazer manutenção, sempre que se impor. É um processo que vai reduzir as dificuldades dos agricultores locais. Além da cultura de vários hectares de mandioca, de bananal, abacateiros, laranjeiras, os agricultores de Malange projectam ainda a de fruticulturas para os próximos tempos. O agricultor Noé Gomes refere, nesse particular que, “a fruta consumida em Malanje vem, maioritariamente, de outras paragens”.

Outra aposta incide também sobre a criação de gado caprino e de aves domésticas, que é uma das metas traçadas pela fazenda de Matete.

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