O sector agro-industrial do país, particularmente da região Sul, que abarca as províncias da Huíla, Cunene, Kuando-Kubango e Namibe está a dar sinais positivos de crescimento, a julgar pelos inúmeros invetimentos disponibilizados pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

Com o objectivo de reavaliar os vários projectos,  arranca no dia 13, no hotel Terra da Chela, na cidade do Lubango, província da Huíla, um fórum empresarial, enquadrado  nas festividades da Nossa Senhora do Monte, que acontece durante o mês de Agosto.

A par desta iniciativa decorre também a feira agro-pecuária da Huíla, que teve  início no dia 7 e que termina a 11, além da Expo-Huíla que inicia no dia 14 e contará com uma participação de 180 empresas de diferentes ramos.

A feira agro-pecuária é uma organização da Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial (AAPCIL) que congrega 640 empresas e da Cooperativa dos Criadores de Gado do Centro e Sul de Angola (CCGCSA).

O programa do fórum empresarial conta com um discurso de abertura a ser proferido pelo governador da província da Huíla, João Marcelino Typinge, e com a presença do presidente do conselho de administração do BDA, Paixão Franco. Entre os temas constantes na agenda do fórum está prevista a apresentação do BDA como instrumento do Estado para o financiamento do sector produtivo e a caracterização do volume financiamento do BDA na região Sul. O evento contará ainda com a apresentação de testemunhos de três beneficiários de financiamento do BDA na região.

Representações provinciais
Empresários entrevistados pela reportagem do JE defenderam a criação de serviços locais ou representações do BDA a nível das províncias com o objectivo de se fazer um melhor acompanhamento da execução dos projectos financiados pelo banco.

Questionado sobre o nível de implementação dos projectos locais, o presidente da Aapcil (Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial de Lubango) afirmou que os financiamentos têm servido para concretizar alguns projectos de investimentos, não obstante os constrangimentos ainda existentes neste processo.

“A criação do BDA foi uma acção positiva para o empresariado nacional e tem contribuído muito para o desenvolvimento do sector produtivo e industrial. Mas não basta apenas o financiamento, gostaríamos de ter o BDA por perto para acompanhar a implementação dos projectos”, aconselhou.

Por sua vez, o empresário de construção civil João Abrunhosa, que já beneficiou de um financiamento de 239 milhões de kwanzas (2,5 milhões de dólares) para implantar uma central de britagem na Huíla) é de opinião que caso o BDA não possa criar representações locais, deve pelo menos reunir de forma regular e permanente com os promotores dos projectos.

“Isto permitiria aferir o nível de execução dos projectos, evitando desvios financeiros, assim como saber dos constrangimentos existentes no terreno”, alertou.

Já o presidente da cooperativa Baixo Cunene, João Figueira, e o empresário agrícola Francisco Domingues, um dos maiores produtores agrícolas da Matala, foram unânimes em afirmar que o BDA deveria fiscalizar melhor, sobretudo no que diz respeito à qualidade dos meios agrícolas postos à disposição dos agricultores pelas empresas fornecedoras.

“Seria bom se tivéssemos a possibilidade de escolher os produtos e os fornecedores dos mesmos, porque os fornecedores entregam meios de baixa qualidade e a preços muito alto”, sugeriu José Figueira.

Projectos financiados
Actualmente, o BDA é considerado o maior financiador do sector produtivo da região Sul, particularmente da província da Huíla, com 37 projectos financiados e um volume de crédito avaliado em mais de 8,5 mil milhões de kwanzas (89 milhões de dólares).

Um dos beneficiários destes financiamentos é a empresa Sodemat, empresa criada pelo Ministério da Agricultura para gerir o perímetro irrigado do Cunene, cujo programa de desenvolvimento do município da Matala, província da Huíla, contou com o apoio do BDA para a implementação de uma fábrica de concentrado de tomate avaliado em mais de 890 milhões de Kwanzas.

A fábrica, que começa a actividade em breve, possui uma capacidade instalada para absorver a produção local e processar 12.400 toneladas de tomate por ano.

Além da fábrica, o BDA também financiou a construção de um complexo de frio para a conservação da produção agrícola das sete cooperativas associadas à Sodemat cujo financiamento foi superior a 568 milhões de kwanzas. Ambos os projectos vão criar 139 postos de trabalho.

Segundo o presidente da Sodemat, Cipriano Ndulumba, a concretização dos dois projectos vai permitir estimular a produção agrícola e resolver o problema do escoamento dos produtos do campo.

“Com a ajuda do BDA foi possível financiarmos a construção de infra-estruturas de apoio à produção que outrora não existiam, como é o caso da fábrica de concentrado de tomate que foi implantada tendo em conta o grande potencial da região para a produção de tomate” referiu.

Numa manhã de céu cinzento e clima de frio, a nossa reportagem saiu do Lubango e deslocou-se a 110 quilómetros fora da cidade até à localidade de Quipungo, uma região de solo rico na produção de milho. Nela conhecemos o sr. Mário Veigas, um empreendedor calejado e proprietário de vastos hectares de terreno por desbravar.

Em finais dos anos 90 e princípio de 2000, Mário Veigas fazia a vida comprando o milho produzido pelos agricultores locais para moer e revender ao PAM (Programa Alimentar Mundial) e depois, com o fim do PAM, às estruturas da Polícia e das FAA. O trabalho de transformação do milho era feito através de moageiras locais, até que um dia adquiriu uma máquina de pequeno porte com o qual moía o milho até conseguir um financiamento do BDA, sete anos depois.

A moageira de Quipungo, implantada numa área de 10 mil metros quadrados e com capacidade de produzir 50 toneladas por semana, já tem a estrutura montada. Neste momento aguardam a instalação das máquinas que foram importadas de um fornecedor italiano. O projecto, que pretende absorver a produção local de milho, recebeu um financiamento de 860 mil dólares do BDA e prevê criar 20 postos de trabalho.