Uma delegação chefiada pela ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, está em visita de trabalho à Argentina e ao Brasil, com o objectivo de reforçar as experiências a nível institucional e empresarial, com vista a promover a cooperação entre os países.

Nestes dois países da América do Sul, a delegação angolana prevê aprofundar as relações nas áreas das pescas, principalmente nos segmentos da aquicultura e da indústria salineira, com vista a contribuir para a diversificação da economia e para a segurança alimentar e nutricional de Angola.

A comitiva angolana integra directores nacionais e um grupo de empresários do sector ligados à pesca marítima, aquicultura e à indústria salineira.

Encontros
A delegação angolana chegou no dia 18, à República da Argentina onde foram analisadas as áreas de cooperação bilateral, quer a nível institucional, como empresarial, nomeadamente troca de experiência em vários domínios, formação de quadros, visitas de estudo, ordenamento jurídico, criação de parcerias entre operadores na área das pescas, aquicultura, indústria salineira e transformação dos produtos da pesca.

A delegação angolana visitou as instalações dos centros de transformação de produtos provenientes da pesca, na cidade de Mar del Plata, seguido de um encontro de troca de experiência entre os empresários angolanos e argentinos.

Foi também assinado o memorando de entendimento de cooperação entre o Ministério das Pescas de Angola e o da Agricultura, Pecuária e Pescas da República da Argentina, numa altura em que o documento acontece num momento importante para o sector, que prevê a “criação de um ambiente propício e favorável para que o sector das pescas contribua para um desenvolvimento socioeconómico dos dois países”.

Reforço das relações
Com a chegada no Brasil, a delegação angolana tem agendados diversos encontros e visitas, sendo o primeiro no instituto de pescas, para constatar o funcionamento e a possibilidade de estudantes angolanos poderem frequentar cursos de pós graduação nesta instituição.

Será também visitada a unidade de controlo estatístico pertencente à mesma instituição e alguns projectos de aquicultura e indústrias salineiras.

Na capital da República Federativa do Brasil, Brasília, a comitiva ministerial angolana, participará num seminário sobre o funcionamento do Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil.

Para o dia 28 está previsto um encontro de cortesia com o ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil, Hélder Barbalho. Logo depois, a delegação angolana participará num encontro de trabalho do grupo técnico dos dois países, para a análise e actualização do “memorando de entendimento entre os Governos da República de Angola e da República Federativa do Brasil sobre a cooperação na área da pesca e aquicultura”.

Assinado em 2004, o memorando prevê parcerias nas áreas de formação de quadros, pesca artesanal, aquicultura, investigação pesqueira, gestão dos recursos biológicos, acompanhamento e gestão de projectos, fiscalização pesqueira, produção do sal além das escolas de pesca.

No mesmo fórum também será revista a materialização das acções constantes da acta, assinada durante a visita do ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil à República de Angola, em 2014.

Ainda no Brasil os empresários angolanos, visitarão algumas fazendas de aquicultura, seguindo-se depois um encontro com os especialistas de extracção de sal.

Em Salvador, a delegação ministerial visitará o programa de aquicultura apoiado pela Odebrecht-Pdcis. A comitiva termina a sua visita de trabalho ao Brasil, realizando um encontro com pescadores da pesca artesanal e costeira e visita a locais de desembarque de pescado.

Produção em alta
Dados do Ministério das Pescas indicam que em 2014, a produção pesqueira em Angola atingiu a cifra de 400 mil toneladas, nos segmentos da pesca industrial, semi-industrial e artesanal marítima e continental. Estes números ultrapassaram em 6,3 por cento, as expectativas preconizadas.

Ainda no mesmo período, a produção de peixe seco atingiu 15 mil toneladas representando pouco mais de 41 por cento da meta preconizada, embora se tenha verificado um aumento de 30 relativamente ao ano de 2013. Quanto a indústria salineira, foram produzidos em 2014, um total de 39 mil 146 toneladas, cerca de 45 da meta estabelecida.

Sobre a frota pesqueira, no ano passado foram licenciadas um total de 253 embarcações a favor de 108 empresas das quais 42,3 por cento são nacionais, operando as demais (com bandeira estrangeira) em parceria com empresas angolanas.

Durante 2014 foram exportadas 41.287 toneladas de marisco, peixe diverso e farinha de peixe. Foram igualmente exportados 1 milhão 425 mil 522 litros de óleo de peixe.