O Ministério das Pescas em colaboração com os governos provinciais está a construir infra-estruturas modernas capazes de facilitar e criar as condições para desenvolver a aquicultura comunal de maneira sustentável.

Segundo a titular da pasta, Victória de Barros Neto, quando discursava, na passada sexta-feira (6), no acto de inauguração do primeiro centro de larvicultura de tilápia (cacusso) do país, localizado em Massangano, município de Cambambe, província do Cuanza Norte, o projecto faz parte desta estratégia do Executivo.

Erguido numa área total de cinco hectares, com um investimento de 1,060 milhões de kwanzas , o complexo pesqueiro prevê produzir anualmente cerca de dois milhões de alevinos, e foi inaugurado pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Edeltrudes da Costa, do governador do Cuanza Norte, Henrique André Júnior e membros do Ministério das Pescas, do governo provincial e operadores do sector.

No seu pronunciamento, Victória de Barros Neto destacou que o Executivo está também a proporcionar outros incentivos como o fornecimento de materiais, equipamentos, facilidade ao micro-crédito, a formação e assistência técnica aos aquicultores nas comunidades rurais.

A ministra das Pescas apelou à classe empresarial, no sentido de direccionar a sua acção, dinamismo e criatividade na implementação de projectos aquícolas comerciais, numa altura em que o cacusso é bastante consumido, prova disso são as quantidades deste produto que são importados.

“Estamos convictos que podemos contar com os nossos empresários, para alavancar esta actividade e atingir as metas preconizadas pelo Executivo”, desafiou.

Fomento da pesca
Para a ministra das Pescas, o centro inaugurado é de extrema importância para suportar a indústria nacional crescente, mormente da aquicultura, tendo em conta que a piscultura, além de ser uma actividade económica viável, o produto é bastante aceite na dieta alimentar das populações.

Na sua intervenção a ministra revelou que o centro terá vários desafios, principalmente em criar condições para potenciar acções para o aumento da produtividade, a partir da difusão de inovações e técnicas melhor desenvolvidas na produção e fornecimento de alevinos.

Com esta infra-estrutura, disse, abre-se uma “janela” de oportunidades no mercado de emprego, tendo por isso um papel relevante na inserção social e fixação das populações e desta forma aumentar a renda familiar.

Projectos futuros
Na ocasião foi anunciada pela ministra, a implementação de um novo centro de larvicultura, a ser construído no município de Menongue (Cuando Cubango), que vai apoiar as províncias do Leste e Sul do país.

No âmbito da cooperação internacional, Victória de Barros Neto salientou que decorrem os projectos de maricultura do carapau para o repovoamento e o mapeamento das zonas potenciais para o desenvolvimento da aquicultura com a assistência técnica da Coreia do Sul bem como da FAO.

Diversificação da economia
Para Victória de Barros Neto, a aquicultura é tida como um dos subsectores prioritários e pode desempenhar um importante papel para a diversificação da economia, com a possibilidade de evoluir de forma intensa, tornando o país num grande produtor de pescado.

Assegurou a ministra das pescas, espera-se que até 2017, a actividade aquícola em Angola possa gerar cerca de 11.194 postos de trabalho.

Aquicultura
Relativamente ao estado actual de desenvolvimento do sector da aquicultura, a titular das pescas salientou que o mesmo encontra-se numa fase “embrionária” e de fomento.

Victória de Barros Neto informou que tem-se desenvolvido exclusivamente através da piscultura continental em pequena escala com uma produção dispersa e em quantidades reduzidas, com a existência de aproximadamente 300 iniciativas familiares de âmbito comunal.

Revelou existir um número cada vez mais crescente de produtores na “denominada piscicultura comercial”, tendo adiantado que a maior produtividade aquícola está nas regiões Norte e Leste.

“No ano de 2014 e em conformidade com a prestação de dados dos empreendimentos existentes foi registada uma produção de 305 toneladas, sendo a tilápia (cacusso) a espécie com maior incidência no cultivo”, revelou.

Estratégia
O plano de acção para o desenvolvimento da aquicultura em Angola (PDAA) estabelece programas de acção para o fomento desta actividade, tendo sido criadas as linhas de base para o desenvolvimento sustentado do subsector aquícola nas 18 províncias, que prevê a implementação de projectos de investimentos públicos e privados.

Para o cumprimento das metas estipuladas no Plano Nacional de Desenvolvimento (2013/2017), que visa a produção de 60.000 toneladas de pescado através da aquicultura, prevê-se o desenvolvimento de uma estratégia produtiva com o envolvimento directo do sector privado, devendo o Estado responsabilizar-se pelas acções de fomento e apoio à aquicultura familiar de pequena escala, à formação e investigação científica.