Tômbwa e Lucira perspectivam regressar aos tempos áureos da pesca na província em que chegaram a exportar entre 500 a 800 mil de toneladas de peixe aos países vizinhos


O município do Tômbwa, 90 quilómetros a sul da cidade do Namibe, capital da província homónima, e a comuna da Lucira, 210 quilómetros a norte da sede provincial, na estrada marginal para Benguela, esperam voltar a ser, a nível nacional, os principais centros de captura e comercialização de peixe fresco, salgado e seus derivados, um estatuto que ostentavam até há cerca de 10 anos.

Com o relançamento da actividade piscatória no país, a província do Namibe, com particular realce para as duas localidades, mostra sinais de regresso aos tempos áureos da actividade de fazer das profundezas do mar uma importante fonte para a extracção de um dos mais procurados alimentos pelo homem, como o peixe, os moluscos e os crustáceos.

Em declarações ao JE, o administrador municipal do Tômbwa, João José Guerra, disse que a região está a dar passos significativos no crescimento económico, com a implementação pelo Governo central do Fundo de Gestão Municipal, avaliado em USD cinco milhões.

O município do Tômbwa tem na captura do pescado, seu processamento industrial, bem como a salga e a seca, as principais actividades económicas. Todos os outros sectores da vida económica da municipalidade, desde a indústria transformadora, à hotelaria e turismo, restauração, iniciativa privada, pequenos negócios, têm como pilar a actividade piscatória.

A pesca na antiga vila de Porto Alexandre, que hoje se bate noite e dia contra o ameaçador avanço das areais do deserto do Kalahari, começou a decair em 1993, com as alterações climáticas registadas na corrente fria de Benguela, que banha a região. As baixas temperaturas das águas contribuíram para a emigração das espécies, e, consequentemente, para a diminuição dos índices de capturas. A esta situação se soma a quase total paralisação da indústria piscatória durante o período do conflito armado que o país testemunhou nas últimas décadas.

A situação tende a retomar o seu curso normal, mesmo que, segundo revelou João José Guerra, o parque industrial municipal esteja inoperacional em 90%. Apenas duas unidades fabris estão a dar sinais de retoma das capturas e transformação do pescado em ração animal. Tratam-se das empresas Pensul e RJ. Esta última produz e comercializa farinha de peixe, e está a montar uma nova linha fabril com capacidade instalada de 60 toneladas diárias, contra as 30 anteriores.

No ano passado, o sector de pescas na província foi reforçado com 13 embarcações de cerco de grande porte, a fim de potenciar os empresários do ramo, nos diferentes municípios da província. Mas, apesar do reforço, os níveis de captura baixaram no primeiro trimestre deste ano, comparativamente com idêntico período de 2009. Dados oficiais indicam que no ano passado foram capturadas mais de 900 mil toneladas de pescado, sendo 80 mil no primeiro trimestre. Este ano, as capturas caíram para 60%.

De acordo com o administrador, o fraco nível de captura do pescado verificado durante o primeiro trimestre do corrente ano foi agravado com a veda decretada pelo Governo de pesca do carapau, em vigor desde Janeiro, e que visa preservar a espécie, em vias de extinção nas águas angolanas. Esta situação, segundo João José Guerra, está a acentuar o grau das dificuldades por parte das populações locais.

No passado, o Tômbwa chegou a exportar anualmente entre 500 mil a 800 mil toneladas de peixe seco para países africanos, com destaque para os Congos Kinshasa e Brazzaville, bem como para a Zâmbia e Moçambique.

Quanto à comuna da Lucira, a situação económica não difere muito da do Tômbwa. A localidade vive essencialmente da pesca industrial e artesanal. Conta com três empresas piscatórias, contra nove, no passado. As três companhias operacionais contam com embarcações de pequeno e grande porte, destinadas à pesca industrial e artesanal, com volumes de captura mensal que rondam entre 200 a 500 toneladas de peixe, entre sardinha, taco-taco, corvina, peixe piolho e pungo.

Do total das capturas, 20% são destinadas ao consumo local, 40% para a salga e seca, e o restante é vendido aos proprietários de viaturas frigoríficas que comercializam o peixe fresco nas províncias do Cunene, Huíla, Huambo e Bié.

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