Os efeitos das mudanças climáticas, quando não são incorporados na gestão das pescas, podem comprometer o desenvolvimento do sector e o bem-estar das populações que vivem da pesca. A afirmação é da ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, quando discursava, em Luanda, na cerimónia de abertura do workshop sobre “ a vulnerabilidade dos recursos pesqueiros às mudanças climáticas no sistema da corrente de Benguela”.

Para ela, será crucial ter informação e bases científicas sólidas para aplicar o princípio da “gestão das pescas numa abordagem do ecossistema”. Neste sentido, a governante instou o Instituto Nacional de Investigação Pesqueira (INIP), a reforçar o seu programa de monitorização de base científica à gestão pesqueira para uma melhor exploração responsável e sustentável.

Segundo adiantou, os eventos dos últimos anos que ocorrem um pouco por todo o planeta sugerem que todos aprendam sobre as mudanças climáticas e o seu impacto no ambiente marinho.

Nesta conformidade, a governante lembrou que a nível mundial observa-se uma redução dos recursos marinhos vivos, que é atribuída ao excesso da capacidade de pesca, apesar de não estarem incluídos os efeitos das mudanças climáticas que afectam a dinâmica dos recursos, com realce para a dispersão dos ovos e larvas, com efeitos directos sobre a abundância dos peixes adultos.

“É neste contexto que o Inip, como instituição de investigação dedicada aos recursos vivos e do ambiente marinho tem a responsabilidade de fornecer esta base científica à gestão pesqueira, para que a exploração seja responsável e sustentável, devendo para o efeito reforçar os seus programas de monitorização, com o apoio dos seus parceiros regionais e internacionais”, sublinhou.

A responsável referiu que com a aquisição de uma embarcação costeira e de diversos equipamentos para apoiar o instituto pesqueiro, estes meios facilitarão não só manter dados temporais, como também servirão para o desenvolvimento de novas estratégias.

A ministra destaca que o material adquirido permitirá “o melhoramento de conhecimento sobre a dinâmica dos recursos marinhos e da variabilidade oceanográfica e do fenómeno do El Niño de Benguela”, além dos movimentos da frente das correntes de Angola.

Parcerias
Na sua intervenção, Victória de Barros Neto revelou que Angola foi um dos apoiantes para a criação e desenvolvimento dos programas regionais, com realce para os projectos “Benguela, pescas ambiente, interacção e formação (BENEFIT), grande ecossistema da corrente de Benguela (BCLME), grande ecossistema da corrente da Guiné (GCLME) e da comissão da corrente de Benguela (BCC)”.

Segundo avançou, estes projectos têm como perspectiva, a criação de uma rede de excelência na investigação pesqueira que permita a “obtenção de resultados cada vez mais sólidos e de melhor qualidade”.

Workshop
O workshop analisou temas religados com a “Global mudança climática nas pescarias e aquicultura”, “A vulnerabilidade às mudanças climáticas e à respectiva habilidade na adaptação” , dentre outras. No evento, os participantes internacionais apresentaram os seus pontos de vista para uma gestão equilibrados dos recursos marinhos.

A titular da pasta das Pescas entende que os conhecimentos a serem adquiridos produzirão bons indicadores, permitindo assim estabelecer estratégias de pesca mais adaptadas a estas variabilidades.

Em 2013 foi realizada pela comissão da corrente de Benguela, o 5º fórum científico, numa perspectiva científica, onde se estabeleceu a importância da comissão da corrente de Benguela (BCC), como sendo uma instituição permanente, inter-governamental através do qual Angola, Namíbia e África do Sul têm estado a colaborar na promoção da conservação a longo prazo.

O projecto contempla também a protecção, reabilitação, valorização e uso sustentável do grande ecossistema marinho da corrente de Benguela (BCLME).

Participam no workshop técnicos dos ministérios do Ambiente, Ciência e Tecnologia, do Inamet,  representantes da FAO, do fundo para o ambiente (GEF),  além das associações de pesca das províncias de Benguela e do Namibe.