Plano Director do Turismo (PDT) prevê optimizar o sector, e deverá focar-se num desenvolvimento faseado e coordenado em seis eixos estratégicos, numa altura em que o turismo de Angola apresenta ainda um défice de oferta a vários níveis, apesar de muitas potencialidades.

Segundo um documento do Ministério da Hotelaria e Turismo, uma vez implementado o PDT, Angola deverá posicionar-se como o destino de diversão e animação em África, alavancando o seu património cultura, natural, de praia e desporto. Os seis eixos de actuação do PDT são: mercados emissores, enriquecimento da oferta, promoção e distribuição, acessibilidades, serviços e competências, bem como a qualidade urbana e ambiental.

Com estas linhas de actuação, o Ministério da Hotelaria e Turismo pretende que a estratégia deverá em primeiro lugar focar a sua actuação no mercado doméstico, priorizando as regiões com elevado potencial (segmentos de elevado poder de compra, turismo social e estrangeiros a trabalhar em Angola).

Posteriormente, o processo será alargado aos mercados da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e europeu (enfoque prioritário ao Reino Unido e França) e globais (feiras internacionais e Estados Unidos da América). Com esta iniciativa, prevê-se que o país até 2020 consiga atrair perto de 4,5 milhões de turistas e um milhão de novos postos de trabalho e receitas na ordem dos 457,7 mil milhões de kwanzas (4,7 mil milhões de dólares).

Oferta
O desenvolvimento da oferta passará pelo aprofundar da estruturação e especialização, partindo de um enfoque em quatro pólos turísticos principais para um alargamento geográfico progressivo. Os pólos de desenvolvimento turístico destacarão a cultura de Luanda e Mbanza Congo (Zaire), sol e mar em Cabo Ledo (Luanda) e Futungo de Belas (Luanda); natureza em Calandula (Malanje) e no Okavango (Kuando-Kubango).

Neste segmento, haverá o alargamento progressivo aos pólos de Luanda, Muxima e Lubango (cultura), Benguela, Lobito e Namibe (sol e mar) e Kissama (natureza). Entre várias medidas será reforçada a oferta de infra-estruturas de praia e actividades náuticas além do desenvolvimento de “resorts” para sol e mar assim como “lodges” interligados na natureza.

O PDT prevê a criação da imagem de Angola como destino “jovem” e de diversão, alargando o âmbito geográfico e adaptando os meios aos mercados a desenvolver em cada fase do programa.

O destaque nesta iniciativa será o fomento de parcerias entre grupos hoteleiros e operadores turísticos locais; alargar a rede de postos de turismo a todo o território nacional e aos aeroportos regionais assim como o desenvolvimento de parcerias com operadores turísticos europeus, fomentando o seu investimento em equipamentos hoteleiros e resorts.

Acessibilidades
O programa do Ministério da Hotelaria e Turismo destaca que será lançado um conjunto de acções com vista à modernização das acessibilidades e que facilite tanto as deslocações internas como as ligações ao exterior. Serão melhorados os acessos rodoviários e ferroviários aos principais pólos de desenvolvimento; redução do preço dos transportes públicos, através do fomento da competitividade do sector; aumentar a frequência e reduzir o preço dos voos internacionais, através do apoio a novas ligações aéreas aos principais mercados da região e à criação de uma “low cost” regional.

Será também liberalizado o sector de transporte aéreo, rodoviário e naval. A fonte destaca que a qualidade dos serviços prestados deverá ser gradualmente melhorada, através da aposta na formação de recursos humanos e na garantia e controlo de qualidade dos produtos e serviços.

Serão ainda desenvolvidas parcerias com escolas regionais e europeias para a criação de cadeias de hotéis. O projecto contempla a expansão regional das escolas de hotelaria e aumento do número de vagas e diversificação dos cursos especializados, reforçando a qualidade de ensino.

O património, com interesse para o turismo, será alvo de progressiva recuperação e integração na oferta, sendo garantidos elevados padrões de qualidade urbanística nas áreas turísticas. Assim, a qualidade urbana e ambiental constante no PDT prevê o desenvolvimento de infra-estruturas complementares necessárias ao bem-estar dos turistas, com realce aos sistemas de tratamento de água, saneamento e eficiente fornecimento de electricidade.

O programa prevê ainda o desenvolvimento de parcerias com a iniciativa privada para a reconstrução e exploração de espaços de aproveitamento turístico, além da requalificação do património em todo o território nacional.