Instituto de Planéamento e Gestão Urbana de Luanda cria plano de articulação de mecanismos que integram as novas tendências do crescimento urbanístico.


O director-geral do Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda (IPGUL), Hélder José, disse que o Governo da Província de Luanda vai criar um sistema rodoviário de transporte eficaz, para garantir a circulação de pessoas e bens de forma cómoda. O também chamado “sistema descentralizador” comporta quatro eixos estruturantes, nomeadamente o do eixo litorâneo e dois pendulares que vão integrar o transporte, ocupação do solo e o sistema viário.

Segundo o responsável, o programa abrange vários sectores. Destes, destacam-se o ordenamento do território, a modernização e potenciação da rede viária, bem como o transporte marítimo e de cabotagem. Na proposta do sistema ferroviário de Luanda, serão construídas redes de conexão territorial, que vão criar condições para a interligação dos vários pólos de centralidades urbanas que se vão constituindo, a exemplo da Cidade do Kilamba, de Talatona, do Nova Vida, da Nova Centralidade do Zango e da Nova Centralidade de Cacuaco.

Distribuídas em quatro linhas, sendo que a linha 1 compreende a zona “costeira” e pretende conectar a cidade antiga, a estação ferroviária e o antigo aeroporto, com um comprimento total de 52,9 quilómetros. A linha 2 vai conectar a cidade antiga, a zona de desenvolvimento a Leste a nova cidade de Cacuaco, com um comprimento total de 46,1 Km.

Já a linha 3 vai conectar a cidade antiga, o musseque Capari, a estação ferroviária, projectos de habitação social, o Nordeste e o Sudoeste da nova Cidade do Kilamba, com um total de 89 Km de comprimento. Por fim, a linha 4 pretende conectar as zonas de desenvolvimento a Leste e a Oeste, com 40 Km do total de comprimento.

Infra-estruturas

Com a linha 1, pretende-se um rápido transporte ferroviário conectando o centro da cidade, a estação e o actual aeroporto ao longo da costa, a começar a Norte da antiga cidade (Baixa), através do actual aeroporto e terminar na costa Sul da Cidade do Kilamba. O comprimento é de 52,9 Km, consistindo numa linha de superfície, excepto uma linha elevada na cidade antiga.

Consta do alinhamento estrutural e da função da linha 2 conectar o centro da cidade, a zona costeira Leste, o futuro aeroporto e a nova Centralidade de Cacuaco, que se vai estender à cidade antiga, ao futuro aeroporto, paralela à rede existente e uma ramificação com a nova Centralidade de Cacuaco.

Na estruturação da linha 3, destaca-se a conexão entre as localidades do musseque Capari, Baixa da cidade, estação ferroviária, projectos de habitação social e a nova cidade a Sul a partir do Nordeste a Sudoeste, com um formato de L invertido.

Já no alinhamento estrutural da linha 4, pretende-se conectar a zona industrial de Viana, a região de Camama, passando pelo Belas Shopping, indo desembocar na costa. Inicia na zona costeira Nordeste passando pelos projectos de habitações sociais deste perímetro até ao futuro aeroporto internacional.

No seu programa, o Governo da Província de Luanda pretende, ainda, modernizar e potenciar a rede viária. Nesta conformidade, será feita uma ligação entre a estrada nacional Norte e a via rápida Cabolombo – Viana – Cacuaco.

Cabotagem

Consta do programa o relançamento do sector de transportes marítimos, que vai permitir aumentar o acesso do fluxo de passageiros e de carga, reduzir acidentes no tráfego bem como reduzir o impacto do tráfego no meio ambiente. Das vantagens deste programa, destacam-se o desenvolvimento orientado pelo tráfego assim como melhorar a eficiência no transporte, o que vai permitir reduzir os custos de transportação.

Historial

Dados do Ipgul indicam que, até 2001, todas as rotas eram exploradas pela empresa de Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL), única de que a província dispunha. Nesta fase, o crescimento demográfico e a expansão peri-urbana produziram cerca de 300 mil veículos, degradação da rede viária, sinalização deficiente, elevados níveis de poluição bem como a incapacidade de resposta dos serviços de transportes públicos.

Apesar destes constrangimentos, nesta mesma década, surgiram no sistema de transportes operadores privados, com destaque para as empresas de transportes Macon, Tura, Angoaustral e a SGO.

“A debilidade da oferta pública de serviços de transporte originou a criação de uma rede de transportes em táxis colectivos. Este segmento é o responsável pela transportação de um número significativo das populações. O conforto dos veículos utilizados na rede actual, embora com alguma melhoria, ainda não atingiu o

desejado”, sublinhou.

Quanto ao sector dos transportes marítimos, o gestor destacou que as populações que residem em zonas da costa marítima e ao longo dos rios utilizam as embarcações para a sua transportação.

No seu pronunciamento, o responsável salientou que a rede de táxis “convencionais” que entrou em funcionamento recentemente está a atender um segmento específico.

“Atende no geral pessoas que se deslocam a Luanda por razões especiais, em particular para o turismo de negócios”, disse, depois de destacar que ainda não é suficiente.

Sobre as ligações inter-provinciais, o responsável adiantou que as mesmas se realizam em grande escala por autocarros, mini-autocarros, táxis colectivos, camiões (mercadorias), “não existindo terminais de interface com outros segmentos de transporte”.

Desafios

Na sua dissertação, o director-geral do Ipgul frisou que a instabilidade política que se registou no país provocou movimentos “pendulares” das populações em direcção às zonas de maior segurança, nomeadamente para as regiões costeiras, onde Luanda representa o expoente maior destes movimentos imigratórios e contribuiu negativamente para o desenvolvimento socioeconómico.

“Estima-se que Luanda tenha entre 5,8 a 8 milhões de habitantes. O espaço territorial, equipamentos, infra-estruturas de apoio à população, actividades económicas e o parque habitacional não comportam a dimensão demográfica actual e prevista para a província”, disse.

Com o surgimento dos municípios de Luanda, Cazenga, Cacuaco, Viana, Belas, Icolo e Bengo e Quiçama, no quadro da nova divisão político-

-administrativa da província, o governo local está a desenvolver um plano estratégico da operação urbana, que visa tornar Luanda numa “cidade mundial”. Para isso e no quadro do programa de habitação social, o governo de Luanda vai criar um plano estratégico das novas áreas de crescimento e expansão, requalificação urbana da cidade informal, assim como a reabilitação do centro (zona antiga da cidade de Luanda).

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