Os vários organismos tutelados pelo Ministério dos Transportes devem considerar o plano de acção 2015 apresentado e aprovado como um guião na elaboração dos seus relatórios de balanço e assim dedicarem particular atenção à gestão, motivação e formação contínua dos recursos humanos.

Estas são as conclusões saídas do Conselho Consultivo Alargado do Ministério dos Transportes realizado esta semana em Luanda, sob o lema “A gestão das empresas públicas num quadro macroeconómico e orçamental restritivo”.

O certame recomendou igualmente que os gestores das empresas públicas de transportes devem considerar a modernização como factor de sustentabilidade bem como apresentar custos de modo transparente e racional.

“As empresas devem implementar níveis de organização, processos e sistemas de informação tendo em conta as melhores práticas, características e valor acrescentado”, lê-se no documento.

De acordo com o comunicado final as empresas devem fornecer dados fiáveis, actuais e disponibilizados em tempo útil para permitir a tomada de decisões acertadas e atempadas das entidades superiores assim como o recurso das tecnologias de informação e comunicação de forma a permitir uma melhor qualidade na prestação de serviços ao cliente.

Reprogramação estratégica
Por seu turno, o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, sublinhou que o actual contexto macroeconómico implicou uma reprogramação estratégica dos investimentos, no sentido de reorientar e concertar as preocupações da acção governativa na solução para os problemas mais prementes, nomeadamente, para projectos de desenvolvimento estruturantes e de apoio às populações mais carenciadas.

No seu discurso de abertura, o governante entende que esta fase crítica da economia nacional deve ser encarada como uma janela de oportunidade única para acelerarmos a concretização dos grandes objectivos do plano nacional de desenvolvimento (PND) 2013- -2017 em particular a diversificação da economia.

Segundo o ministro, as restrições orçamentais não podem contribuir para engrossar as causas, as justificações não correctamente fundamentadas, nem ineficiências de uma gestão menos cuidadosa e despreocupada a nível da qualidade dos serviços prestados e dos resultados das empresas.

Reforço na disciplina
“A disciplina na utilização dos meios físicos e dos activos postos ao dispor das actividades e das empresas é outro dos pilares estruturantes da eficiência produtiva a começar desde logo, na fase de investimento pela correcta identificação dos equipamentos e de todos os demais factores que concorrem para a produção de riqueza e de valor acrescentado”, realçou.

Augusto da Silva Tomás considera que a cultura de responsabilidade deve ser reforçada quer internamente, quer na relação das equipas de gestão com o accionista público e estendida a todos os níveis da estrutura organizacional das empresas.

De acordo com o ministro, todas as empresas terão de estar vinculadas a obter “ebitda” positivo, com vista a estancar o crescimento da dívida pública directa e indirecta, acrescentando que cada uma delas deverá apresentar um plano concreto no qual sejam detalhadas as medidas previstas para atingir resultados a curto prazo no exercício fiscal em curso, ou pelo menos um progresso significativo este ano e concluir o ajustamento em 2016 no sentido de permitir reforçar a vigilância financeira
sobre as empresas.

Controlo de gestão
Relativamente ao controlo de gestão, este deve ser elaborado numa base mensal e abranger todas as áreas da estrutura organizacional da empresa, administração, órgãos de suporte e áreas operacionais.

Afirmou que é importante que os indicadores de controlo de gestão da área económica e financeira sejam iguais para todas as empresas, visando a possibilidade de comparação, bem como quando existem várias empresas do mesmo ramo de actividade, o mesmo critério seja adoptado para os indicadores operacionais, sem prejuízo de eventuais especificidades em domínios limitados.

O titular dos Transportes considera que no sistema de controlo de gestão devem incluir outro de informação, específico, que permita monitorar esta área e vincular as empresas a apresentarem planos de melhoria com metas específicas para um
horizonte de três anos.

O ministro recomendou que os gestores cujas empresas estão nesta situação tenham as suas contabilidades actualizadas, transparentes e com componente analítica para poderem discutir as situações com base em factos e números e não, apenas, baseados em convicções não fundamentadas.

“A criatividade, a inovação e a competência revelam-se com maior acuidade nos momentos de restrições e não em tempos de abundância”, concluiu.

Abordagens
Durante o conselho daquele sector, foram analisados temas como como planeamento e controlo de gestão, gestão e motivação de pessoas num contexto de maior exigência, bem como o uso das tecnologias de informação e comunicação com o fito de melhorar a rentabilidade.

Pedro Fonseca, ligado à empresa Consult entende que o controlo de gestão garante o desenvolvimento de uma cultura empresarial centrada em resultados e desempenhos. O especialista explicou que as boas práticas de gestão podem gerar receitas, convertê-las em lucros e posteriormente em recursos.

O evento contou com a participação do secretario de Estado da Aviação, Mário Dominguez, administradores dos organismos públicos do sector dos transportes, directores provinciais e consultores.