O mercado imobiliário angolano tem vindo a ressentir-se dada a quase ausência da procura, resultado da diminuição da actividade económica e da consequente menor necessidade de colaboradores nas empresas, como também pela saída de muitos expatriados, que não conseguem exportar os salários para os países de origem.
Segundo o relatório do mercado imobiliário de Angola, referente ao ano de 2017, publicado este ano pela empresa de consultoria imobiliária “Abacus”, a “esperada” desvalorização da moeda teve em 2017 um efeito positivo no segmento imobiliário, pois tem sido canalizada liquidez para aaquisição de activos imobiliários.
Estes activos são entendidos pelos investidores, como sendo uma das formas lógicas e consequentes de preservar capital, defendendo da esperada desvalorização monetária, dado que há o entendimento que o mercado imobiliário venha
a cotar sempre em dólar.
“Para 2018, o grande desafio será a manutenção e conservação das propriedades, bem como garantir a permanência dos bons inquilinos, atendendo ao especial período económico”,perspectiva a fonte.

Luanda ressente “abalo”O mercado residencial de arrendamento em Luanda sofreu, na sua absorção, uma desaceleração “acentuada” em 2017, pela saída de muitos quadros expatriados.
O relatório salienta que em 2018, mantendo-se ou agravando-se a desvalorização e dificuldade cambial, é esperado que mais expatriados tenham de deixar o país, provocando assim uma diminuição da procura, afectando o retorno para os investidores imobiliários, por causa da diminuição das rendas.
Se em 2017, frisa o estudo, o segmento residencial de compra e venda assistiu a um ritmo “francamente aceitável de colocação de produtos”, onde os valores de venda se foram mantendo, para 2018, é esperada uma diminuição da procura, pois para a grande maioria dos compradores/investidores, a motivação da aquisição já foi satisfeita e foi quase exclusivamente, por questões da desvalorização de moeda e não por necessidade imobiliária.
Por exemplo, o mercado residencial da “Grande Luanda” caracteriza-se por, até então, as soluções de crédito imobiliário para a emergente classe médiaangolana tinha vindo a melhorar.
Com a nova realidade económica e a situação de alguma banca, levou e irá levar em 2017 à retracção na concessão de crédito.
“Continua a existir uma escassez de produtos destinados à classe média angolana no centro da cidade, associada às poucas promoções imobiliárias residenciais em curso, existindo algumas que tardam em terminar”, precisa a fonte.
Anda assim, o estudo frisa que há excesso de oferta destinada ao segmento expatriado, nas tipologias T1 e T2, no centro da cidade. Na zona de Talatona assiste-se a um excesso de oferta de produto destinado ao mercado expatriado,
em particular de moradias.
Ainda assim, existem projectos destinados ao segmento baixo, patrocinados pelo Estado, como forma de reorganização do território.
Outros segmentos No mercado de arrendamento, tem-se vindo a concretizar a intenção dos inquilinos renegociarem o valor da renda, bem como os prazos dos contratos, provocando uma efectiva redução dos valores de arrendamento.
Os valores de venda têm-se mantido “mais estáveis”, dado que existiu um mercado comprador, como já falado para preservação de capital, contra a desvalorização cambial.
Os valores do retalho têm vindo a ajustar, adaptando- se à procura e à realidade económica/cambial do país, centrando-se a questão.
Os lojistas, que tinham vindo em 2017 a enfrentar francas dificuldades, pois não conseguiam importar os produtos que comercializam, terão em 2018 um problema acentuado com a pretensa desvalorização, limitando fortemente a sua actividade.As lojas de rua em 2017 com perspectiva de continuação para 2018, é a ausência da procura. Se até então existia uma significativa procura por lojas de rua, actualmente assiste-se a muitos espaços devolutos, fenómeno que se deve, conforme já explicado anteriormente, ao ambiente económico e à dificuldade de importar por limitação de divisas, especialmentepara pequenas organizações.
Quanto ao sector hoteleiro, o relatório indica que este segmento tem vindo a ter um comportamento em linha com os demais sectores, bem como com a realidade económica, apresentando, em 2017 em termos médios nos hotéis de quatro estrelas, uma taxa de ocupação de cerca de 45 por cento, facea 50 em 2016 e 60 de 2015.

APIMA DEFENDE REFORMAS URGENTES

A Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA) julga ser imperioso que de forma articulada os demais parceiros participem na produção de agenda comum, no sentido de se mexer com a procura, sendo este o principal problema.
Para tal, segundo o presidente de direcção da Apima, Pedro Caldeira,  todos que compõem o sistema devem sentar à mesma mesa e discutir de forma profunda as reformas “do sistema no seu todo”.
Em declarações JE, a propósito do relatório do mercado imobiliário de Angola, referente ao ano de 2017, publicado pela “Abacus”,  o gestor revelou que a Lei do Arrendamento quando foi aprovada, tinha como base acompanhar a política da “desdolarização da economia” que seguia o país e que era preciso refrear o processo pouco claro quanto as regras do arrendamento.
Pedro Caldeira revelou que naquele momento, o instrumento jurídico cumpriu o seu principal papel “pelo menos nesta vertente, mas por outro lado ela retirou ao mercado a liberdade de se realizar livremente os contratos coisa que penaliza todas as partes fundamentalmente os investidores que encaram Angola como um mercado pouco atractivo na recuperação dos seus negócios”.
Sobre a actual limitação cambial que o relatório destaca como sendo “entrave” para a entrada de novos investidores no mercado, o responsável da Apima disse que “pelas notícias vamos denotando que para termos os cambiais de volta com circulação natural em que as empresas possam adquirir serviços e produtos no exterior deverá, o sistema financeiro, efectuar reformas profundas para se cumprir com as regras exigidas pelas autoridades externas”.
Pedro Caldeira sugere mesmo que devem “alguns bancos fundirem-se ou serem vendidos a outros accionistas, assim poderá alterar o quadro actual da falta de divisas”.