O secretário de Estado para a Energia, Joaquim Ventura, afirmou que um dos objectivos definidos por Angola é aumentar a taxa nacional de acesso à electricidade de cerca de 60 por cento até ao ano de 2025.

Esta informação foi prestada durante um seminário sobre “Energia sustentável para todos”, que decorreu na semana passada, em Luanda, no anfiteatro da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE-EP).

O certame visou, também, o incremento de políticas que visam assegurar o acesso aos serviços modernos de energia, aumentar a taxa de melhoramento da eficiência e dobrar a contribuição da energia renovável ao sector energético.

Aumentar a produção
O secretário de Estado para a Energia, Joaquim Ventura, adiantou que Angola persegue o objectivo de aumentar a produção energética, mitigando os desafios ambientais associados ao sector.

“Estamos convencidos de que a implementação e o aumento da utilização de energias renováveis não só preservarão o meio ambiente, como reduzirão as emissões nocivas e a dependência de combustíveis fósseis”, disse.

Joaquim Ventura adiantou ainda que o Executivo angolano está a construir a segunda central de aproveitamento hidroeléctrico de Cambambe (Cuanza Norte) com uma capacidade instalada de 780 megawatts (mw), aproveitamento hidroeléctrico de Laúca (ambas no Cuanza Norte) com 2.060, a central de ciclo combinado do Soyo com 750 e as suas respectivas linhas de transporte de energia em alta tensão associadas, que permitirão a interligação dos sistemas Norte, Centro e Sul.

Assim sendo, estas realizações estão suportadas por um plano de políticas estratégicas de segurança energética e pelo plano de desenvolvimento de médio prazo (2013/2017) que se enquadram na “década sobre energias sustentáveis para todos 2014/2024”.

Neste programa, Angola definiu entre outros objectivos o aumento da taxa nacional de acesso à electricidade em cerca de 60 por cento até 2025, e a capacidade de produção de energia até 9.990 mw, com a distribuição energética para 66 por cento de fonte hídricas, 19 de gás natural, 8 de novas energias renováveis e 7 de energia fóssil.

Joaquim Ventura afirmou que o Governo prevê com este programa, universalizar o acesso à energia eléctrica a mais de metade da população angolana e interligar a rede eléctrica nacional à regional da SADC.

Neste contexto, estão em elaboração estudos e projectos para electrificação rural a nível nacional, que incluem a extensão de redes e sistemas isolados, usando fontes hídricas, solar e biomassa, além de sistemas individuais com recurso a painéis solares.

Participação privada
O consultor para o sector eléctrico, Miguel Barreto, ao apresentar o relatório sobre “Avaliação das insuficiências do sector eléctrico em Angola”, no seminário de validação do relatório de análises das lacunas do sector energético, no âmbito da iniciativa de energia sustentável para todos, disse que manter o desenvolvimento do sector hídrico como prioridade chave é envolver o sector privado e constitui um dos grandes desafios para o país.

Ao referir-se aos recursos energéticos utilizados no país, o consultor apontou a lenha, o carvão vegetal, as hídricas, aos energias renováveis e o petróleo como grandes representantes da economia, com cerca de 9 biliões de barris de reserva, equivalentes a cerca de 15 anos de produção.

No sector eléctrico, o país registou um forte crescimento do consumo de energia ao longo dos últimos anos, um aumento da capacidade de produção disponível e extensão das redes de distribuição, ao mesmo tempo que existem fortes perspectivas de crescimento até ao ano 2025.

No que toca à energia e ao desenvolvimento económico, foi informado de que os subsídios dos combustíveis em Angola representavam até ao ano 2014 cerca de 3,7 por cento.

Receitas arrecadadas
Relativamente às receitais arrecadadas pelo sector, no período 2012/2013, aumentaram de 14 mil milhões de kwanzas para 26 mil milhões.

Por seu turno, a funcionária do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/Angola), Amaya Olivares, ao referir-se à iniciativa da “Energia sustentável” disse que, a nível mundial, 1,3 mil milhões de pessoas não têm acesso à electricidade e 2,6 nos países em desenvolvimento dependem da biomassa.

Segundo adiantou, noutras partes do mundo, quando há energia, milhões de pessoas não têm capacidade financeira para aceder à mesma.

As Nações Unidas declararam em 2012 a década 2013/2023 como sendo a de “energia sustentável para todos”.
As metas indicam que até 2030 deve haver acesso à energia para todos e a duplicação da quota de energias renováveis e da taxa global de eficiência energética.