A intensificação no transporte de mercadorias em 2014 permitirá  o aumento na arrecadação dos níveis de receitas que contribuirão definitivamente para estancar o crescimento do passivo existente, anunciou, em Luanda, o presidente do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), Celso Rodrigues de Lemos Rosas. O responsável  disse que o CFL realiza 24 frequências diárias no troço Bungo/Catete, assegurando a deslocação de cerca de 13.000 passageiros. Com a reposição plena da circulação ferroviária nos troços Bungo/Dondo e Bungo/Malanje abre-se um novo ciclo, a par do restabelecimento da ligação ferroviária ao Porto de Luanda.

A aposta da empresa que possui 1.000 trabalhadores focaliza-se numa crescente racionalização económica da exploração ferroviária, com o objectivo de se inverter a trajectória do crescimento do passivo e ser aumentada a sua sustentabilidade. Para Celso Rosas, o grande desafio constitui em repor a circulação ferroviária em pontos cruciais.

“O esforço que se exige ao CFL é conseguir fazer mais comboios, com melhor serviço e em maiores condições de circulação e com menores custos unitários”, disse.

Projecto
O gestor avançou como intenção a construção de uma segunda linha para o serviço urbano, a fim de permitir o aumento do número de frequências diárias, contribuindo, deste modo, para facilitar a mobilidade na cidade de Luanda.

“Pretendemos construir um ramal no Porto Seco de Viana para carga e descarga de mercadorias, a fim de se dar cumprimento aos horários dos comboios”, afirmou Celso Rosas.

O gestor público apontou igualmente três desafios que passam pela reestruturação do modelo organizativo existente actualmente, com a criação de um novo modelo de funcionamento e incrementar o transporte de passageiros no serviço suburbano no troço Bungo/Baia, potenciando o corredor de mobilidade Bungo/Musseque/Viana/Baia, onde importará assegurar o número e a regularidade de frequências.

O objectivo visa responder às solicitações de uma população que ultrapassa os quatro milhões de habitantes que vivem ou trabalham nas áreas abrangidas pela respectiva zona de influência, nomeadamente no Centro, Cazenga/Sambizanga, Aeroporto, Sapu, Kilamba-Kiaxi, Zango II e Viana.

Duplicação da via-férrea
O segundo desafio passa pela duplicação da via-férrea no troço ferroviário Bungo/Baia, com a operacionalização do sistema de sinalização ferroviária instalado, a par da já anunciada disponibilidade de novo material circulante, que permitirá a prazo o CFL alcançar os cinco milhões de passageiros anualmente transportados, avançou Celso Rosas. Por último, ressaltou a aposta no Novo Porto de Luanda (Barra do Dande) e da correspondente ligação ferroviária, como eixo estruturante e crucial à dinamização do corredor de desenvolvimento de Malanje.

No recente fórum do Instituto para o Sector Empresarial Público (ISEP) sobre “desafios e oportunidades de negócio no sector empresarial público”, que decorreu nos dias 2 e 3 de Dezembro, o presidente do Conselho de Administração do CFL, Celso Rosas, chamou atenção da necessidade de o Estado potenciar as empresas, visto que alguns enfrentam dificuldades financeiras graves que podem levá-la à falência técnica, pois os custos são muito superiores às receitas.  

“O conselho de administração traçou como objectivos principais para 2014, ser uma empresa de referência para o sector ferroviário, através da aplicação e monitorização de um conjunto de indicadores ferroviários e respectivas metas a serem estabelecidas anualmente, a par de índices da qualidade da oferta, que serão apurados igualmente já no próximo ano”, disse.  

O presidente do CFL considerou crucial a aplicação do novo modelo de funcionamento, que   permitirá, num contexto de um melhor conhecimento da realidade existente e das necessidades de uma procura, definir com maior rigor os investimentos previstos.

Do conjunto de investimentos a serem realizados destacam-se o das instalações fixas e nas infra-estruturas indispensáveis à actividade dos serviços de transportes de passageiros e mercadorias, além do investimento na manutenção dos equipamentos e no material circulante (tracção, carruagens e serviços).

A implementação do comando e controlo da circulação, aprofundar a gestão, formação e capacitação dos recursos humanos constam dos desafios para 2014.

Oportunidades
Celso Rosas garantiu existirem um potencial no mercado para o transporte de passageiros e mercadorias, que a curto prazo, estima-se que permitirá servir o eixo, até 2015, cerca de cinco milhões de passageiros por ano, e o transporte de 1,5 milhões de toneladas de mercadorias por ano. Além disso, os vários operadores necessitam de serviço, nomeadamente para o PDS- Pólos de Desenvolvimento Social no Corredor Ferroviário de Luanda e Malanje, o que implicará a construção de um ramal a partir da Estação de Cacuso, para ligar ao pólo agro-industrial de Kapanda.

“Com a abertura da via ferroviária, permitirá levar a maquinaria do Porto de Luanda para o Pólo Agro-Industrial e vice-versa, facilitando também o escoamento da produção para os centros urbanos como Luanda, Ndalantando, Malanje até à sua exportação através do Porto de Luanda”, finalizou.