No rescaldo das actividades realizadas e programadas para o exercício económico de 2017, no sector dos Transportes destaca-se o balanço que fez para assinalar a década (2008/2017), onde os indicadores mostraram alguma robustez, apesar das dificuldades conjunturais.

Tal como ficou patente no discurso de abertura do VIII Conselho Consultivo Alargado do sector, realizado em Luanda, no mês de Agosto, Augusto da Silva Tomás, destacou que teria-se chegado a 100 por cento, não fosse a crise económica e financeira que o país vem enfrentando desde o II semestre de 2014.
Sublinhou a construção e recuperação de infra-estruturas do sector permitiram, em 10 anos, a transportação de mais de 445 milhões de passageiros e 65 milhões de toneladas de carga no país, tendo empregado cerca de 16.686 trabalhadores, no conjunto de sete institutos públicos e 16 empresas.

Balanço

No domínio aéreo, as Linhas Aéreas de Angola (TAAG) que passaram por um processo de reestruturação, permitiu transportar no I semestre de 2017, mais de 10 mil passageiros em voos de conexão imediata e diários, para a Europa (Portugal), América do Sul (Brasil e Cuba) e região da SADC (África do Sul, Namíbia, Zimbabwe, Zâmbia e Moçambique).
Grande parte da retoma alcançada deve-se à poupança de custos durante o ano de 2016 no valor de 70 milhões de dólares face ao objectivo no Plano de Negócios de poupar 100 milhões de dólares norte-americanos até 2019.
No início de 2016 o website “TAAG.com” foi modernizado e melhorado para simplificar o processo de reserva dos clientes, o que obteve um sucesso instantâneo com vendas superiores a 20 milhões de dólares, comparados com menos
de 2 milhões no ano de 2015.
A Taag tem 3.451 trabalhadores, dos quais em Angola 3.183 e 268 das delegações e escalas no exterior.
Em 2014, o Ministério dos Transportes e a Emirates assinaram um acordo de parceria estratégica para o desenvolvimento da empresa. O acordo deu corpo a um contrato de gestão da Taag pela Emirates que terminou, recentemente, de
forma brusca e menos flexível.
Já a Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA) conta com 32 aeropostos e aeródromos. Nestas infra-estruturas passaram 3,5 milhões de passageiros em 2016.

Crescimento ferroviário

A reabilitação e modernização dos três caminhos-de-ferro (Luanda, Benguela e Moçâmedes), num percurso de 2.730 quilómetros de linha férrea, suportada por 151 estações, reposição de 52 locomotivas, 226 carruagens e 282 vagões, depois de uma longa paralisação de quase 30 anos, tem estado a contribuir para o crescimento das trocas comerciais nas diferentes regiões do país.
Por exemplo, até Junho de 2017, os comboios do CFL levaram 781.426 passageiros, contra os 2 milhões 892 mil 557 fechados em 2016. Dados indicam que a empresa factura anualmente 1,5 mil milhões de kwanzas.
Em Outubro, a empresa China Hai Wayway Lda procedeu no Lubango (Huíla) à entrega definitiva das infra-estruturas ferroviárias do Caminho-de-ferro de Moçâmedes (CFM).
Em Dezembo, o CFB anunciou que três mil passageiros serão transportados semanalmente pelos seus comboios na rota Huambo-Cuito-Luena-Luau.
Em 2017, os comboios do CFB transportaram 500.143 passageiros e cerca de 35.106 toneladas de produtos diversos.

Carregar a economia

O Porto de Cabinda movimentou em 2017, cerca de 260.392 toneladas de carga diversa e 10.253 contentores.Quanto aos navios, atracaram 125 petroleiros e 190 navios de médio porte e de cabotagem nacional, contra 212 petroleiros e 224 outros navios de
médio porte e cabotagem nacional.
Já o Porto de Luanda continua a ser responsável em cerca de 80 por cento do tráfego de importação e exportação do país, assumindo-se como a maior plataforma portuária. A unidade aderiu ao Compact Global das Nações Unidas como resultado das metas
alcançadas pelo plano estratégico.
No final do ano, as actividades do Porto do Lobito ficaram manchadas com a greve dos cerca de 2 mil trabalhadores que reclamavam da entidade patronal, o pagamento de cerca de quatro meses de salário em atraso.
A estratégia definida pelo Executivo angolano, em relançar a Sécil Marítima, deu resultados positivos. De Janeiro a 30 de Junho de 2017, a empresa pública de cabotagem assinou um total de 40 contratos, dos quais 38 assinados, o que representou uma taxa de realização de 95 por cento.
De um total de 93 operações adjudicadas, foram concluídas 58.