O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, revelou que o sector vai poupar 100 milhões de kwanzas em combustível (diesel), com a entrada em funcionando de três novas subestações eléctricas, inauguradas, recentemente, em Luanda, pelo governador da província, Francisco Higino Lopes Carneiro.
Trata-se das subestações do Morro Bento, com capacidade para 220/60 kilovolts (kv), Morro da Luz 60/15 KV e Boavista 220/60 que vão permitir maior fiabilidade na exploração e maior estabilidade no fornecimento de energia eléctrica nas zonas de Talatona, Samba, Maianga, Miramar, Chicala, Marginal de Luanda assim como aos novos projectos urbanísticos que estão a nascer.
Os empreendimentos foram financiados com as linhas de crédito dos Governos da China e Espanha, num investimento de mais de 100 milhões de dólares norte-americanos.
Além de áreas técnicas, as subestações comportam ainda compartimentos como o de serviços de apoio, gabinetes, casas de banho, estacionamento para viaturas entre outros espaços.

Expansão
Na ocasião, o ministro da Energia e Águas informou antes da inauguração das infra-estruturas, que existiam 11 centrais térmicas a funcionar em Luanda, que consumiam cerca de dois milhões de litros por dia de combustível.
Com estes novos projectos, adiantou, e com a entrada em funcionamento do Aproveitamento Hidroeléctrico de Cambambe poupou-se 750 mil litros de combustível/dia.
João Baptista Borges explicou igualmente que com estas subestações estão a ser criadas as condições para a expansão da capacidade de transformação de alta tensão, garantindo maior estabilidade aos projectos de extensão da rede de distribuição.
“Com este ritmo de trabalho, poder-se-á ligar mais 400 mil residências à rede de distribuição e deste modo, criar as condições que Luanda necessita em termos de fornecimento estável”, avançou.
O governante lembrou que a meta é duplicar a taxa de acesso até 2025, sendo que projectos do género vão se multiplicar em todo país nos próximos tempos.
Em declarações à imprensa, o ministro reconheceu que as referidas obras poderiam ter sido concluídas mais cedo caso não houvesse constrangimentos na rede de transporte.
Afirmou que e só foi possível graças a colaboração do Governo da Província de Luanda na remoção de muitos obstáculos, uma vez que são obras que vão levar benefícios a muitos cidadãos.

Ganhos
Por seu turno, o governador da província, Francisco Higino Lopes Carneiro, disse que a Luanda está de parabéns, a julgar pelos seus 441 anos de existência brindandos, agora com mais energia eléctrica, o que vai permitir cada vez mais uma estabilidade no fornecimento regular e com qualidade que se exige.
“Deu para sentir a alegria e a satisfação das populações do Morro da Luz, por exemplo, onde muitas delas se dedicam ao pescado uma vez que poderão conservar melhor o produto que comercializam”, revelou, depois de acrescentar que existe planos no Ministério de tutela que prevê a construção de mais infra-estruturas do género.


Apoio garantido
Na ocasião, a embaixadora de Espanha em Angola, Júlia Alícia Romero, considerou que as novas subestações são um orgulho para o país, tendo em conta a tecnologia usada para a sua edificação.
Adiantou que o Governo do seu país vai continuar a apoiar financeiramente Angola, quer no sector da Energia e Águas, no âmbito das relações bilaterais existentes entre os dois países, quer noutros projectos de impacto socioeconómico.
Durante a inauguração dos empreendimentos eléctricos foi notável a satisfação de alegria de alguns munícipes que testemunharam o acto.
Elisa António, moradora do bairro da Luz, disse ao JE que era um constrangimento viver sem energia eléctrica.
Apelou à racionalização no consumo, assim como a cultura do pagamento a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), para permitir que o Estado faça também projectos similares em outras zonas do país.
Para Alberto José que vive no bairro da Boavista há três anos, uma nova instalação eléctrica é sempre um ganho para quem não tem energia regular.

Aumento da capacidade
Dados da Ende indicam que com a entrada em serviço destas subestações, Luanda conta agora com 49, passando também a ter uma capacidade instalade de 2.631 MVA de potência instalada, reforçando ainda mais o seu estatuto de maior centro de consumo.
Segundo apurou o JE, o Ministério de tutela assume o desafio para este ano, aumentar significativamente a oferta de energia eléctrica para que as restrições, por défice de potência, sejam solucionadas.
Na sua estratágia está em curso projectos estruturantes de ampliação da Barragem de Cambambe, no Cuanza Norte, além da construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca (Malanje) e o Ciclo Combinado do Soyo (Zaire), que juntos poderão produzir 5 mil megawatts (MW).