Angola e a República da Zâmbia estarão ligados por linha férrea dentro de quatro anos, através do ramal ferroviário que vai partir do município do Luacano, na província do Moxico, até a vila de Chingola, província de Copperbelt, disse o presidente da companhia ferroviária da região Noroeste da Zâmbia, Enoque Kavindele.
O gestor que falava durante o fórum empresarial sobre as potencialidades e oportunidades de negócio, que decorreu, recentemente, na cidade do Luena (Moxico), adiantou que antes do arranque da construção do ramal ferroviário, Angola e Zâmbia vão assinar acordos bilaterais, instrumentos que poderão ajudar na cooperação estratégica que se pretende.
Acrescentou que a execução das obras terá início em Novembro do ano em curso, num troço de 350 quilómetros e vai garantir seis mil postos de
trabalho por parte de Angola.
Dada a importância capital que o futuro empreendimento vai gerar para os dois países, o gestor zambiano prevê muitas oportunidades que esta parceria poderá gerar, através de troca de bens e serviços e a facilitação de livre circulação de pessoas e bens, entre os dois países vizinhos.

Desenvolver a SADC
Segundo o responsável, a linha ferroviária vai desenvolver e fortalecer os empresários dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e permitir mais trocas de experiência entre os agentes económicos da zona Austral do continente africano.
Para Enoque Kavindele, o Corredor do Desenvolvimento do Lobito vai permitir à Zâmbia escoar os seus produtos, utilizando o sistema mais fácil e rápido, bem como evitar os custos elevados até aqui praticados, através da via férrea da Tanzânia e África do Sul.
“Acredito que com este investimento haverá melhorias significativas para os dois povos”, disse o responsável, tendo adiantado que a Zâmbia pretende exportar carne, arroz, soja e outros produtos agrícolas, a preços baixos.
O PCA da companhia ferroviária da região Noroeste da Zâmbia afirmou que o seu país tem condições para explorar o mercado angolano em várias vertentes, desde que haja abertura no lado de Angola.
“Ficamos tristes quando ouvimos que Angola gasta tanto dinheiro para exportar carne, enquanto nós produzimos em grande escala e podemos fornecer milhares de toneladas ao nosso país vizinho”, disse.Enoque Kavindele prevê uma parceria activa para garantir a facilidade de negócio entre os dois países.
“Temos tudo para dar certo. As outras nações são unidas, nós também podemos seguir o mesmo modelo”, augurou.