Um estudo da empresa “Colliers Internacional” aponta que o turismo denegócio representa mais de 80
por cento do turismo angolano.
Ao contrário do que se passa em outras áreas, o mercado hoteleiro tem resistido, dado como certa que a ocupação e os preços têm vindo a decrescer.
Nesta esteira, o mercado hoteleiro da província de Luanda permanece entre os mais competitivos da África Subsahariana, não sendo ultrapassado por nenhum dos mercados de crescimento rápido, como o Addis Ababa (Etiópia) ou Nairobi (Quénia).
O crescimento previsto para o número de quartos de hotéis em Luanda está alinhado a elevada proporção de unidades de cinco estrelas, ilustram a força do mercado local. O documento destaca a notável competitividade hotelaria de Luanda, que se tem mantido na região, apesar da crise, aproveitando novas oportunidades (como o crescimento da procura de food and beverage).
A consutora “não considera surpreendente que outros players” internacionais optem por seguir a Accor ou o Grupo Rezidor para investirem em Angola, desafiando a tendência de decréscimo.

Pacotes turísticos
Em Angola, destaca a fonte, o peso do segmento de viagens e turismo ronda os 2 por cento. Esta correlação ilustra o potencial de crescimento do turismo em toda a África Subsahariana.
Os turistas europeus e africanos representam 70 por cento das chagadas turísticas a Angola, o que revela uma tendência crescente.
Segundo consta, os turistas portugueses representam 35 por cento do total de chegadas a Angola, seguidos dos sul-africanos (10), chineses (9)
e também brasileiros (9).
As chegadas a Angola provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa não são superiores a 2 por cento do total, longe dos números, por exemplo da vizinha República da Namíbia.
Em Angola, informa a nossa fonte, o turismo de férias é quase irrelevante.

Turismo sazonal
A sazonalidade é pouco sentida nos expatriados, encontrando-se as chegadas distribuídas de forma pouco diversificada ao longo do ano. Os meses de Julho a Setembro representam 35 por cento da chegada de expatriados descendo, de Janeiro a Março, para 15.
Pelo contrário, a sazonalidade para o turismo de negócios e férias é mais visível. De Julho a Setembro, concentram-se mais de 50 por cento das chegadas totais. Na segunda metade do ano civil, a chegada soma mais de 90 do total.
A procura de alojamento em Luanda é impulsionada pelo mercado empresarial e pelas companhias petrolíferas
ou empresas de serviço.
Já no segmento do lazer, a procura é sobretudo, complementar aos negócios, revelando-se Angola incapaz de capitalizar as forças (praias e atracções naturais) que possui, que não são superadas por muitos países africanos.
A estadia média em unidades hoteleiras é de 2 noites , crescendo para estrangeiros para 3.
O mercado hoteleiro ilustra o “hiato” existente em Luanda e no resto do país.
A fonte sublinha que apesar de partilharem uma tendência decrescente, o mercado de Luanda tem-se mostrado bastante resiliente, apesar do actual comportamento da economia angolana.
Há apenas alguns anos, a taxa de ocupação em Luanda era excelente, com as principais unidades hoteleiras adoptaram uma estratégia regular de “overbooking”. Em Luanda, eram comuns histórias de cancelamentos na entrada dos hotéis ou empresas internacionais a optarem por acomodar mais de um colaborador no mesmo quarto.
Desde que a crise começou a afectar de forma mais agressiva, a taxa de ocupação tem vindo a decrescer, mantendo-se contudo, a um nível aceitável.
Pelo contrário, a ocupação em Angola tem decrescido muito rapidamente ao longo dos últimos dois anos, com o Governo a anunciar que a taxa de ocupação hoteleira a fixar-se nos 25 por cento.
O turismo mundial tem crescido a um ritmo imparável ao longo das últimas duas décadas. Desde 1995, revela a fonte, a taxa de crescimento anual média ultrapassa os quatro por cento, com apenas dois anos a registarem um crescimento negativo.
África representa menos de cinco por cento do turismo mundial, tendo decrescido de 2014 para 2015, na ordem dos 10 de turistas no Norte de África. A África Subsahariana é uma das regiões que mais tem crescido com média de cinco por cento por ano, desde 2005 perto de 15 milhões de turistas e quase 30 milhões de turistas desde 1990.