O turismo, na província do Bié, continua a aguardar por investimentos públicos e privados com vista ao relançamento da sua actividade.

A região, circunscrita ao “planalto central” do país, conta com muitos pontos de referência turística, com particular referência para o Centro Geodésico de Angola, no município de Camacupa, e a nascente do rio Kwanza, na localidade de Mumbué, no município de Chitembo.

Para esse efeito, a direcção do comércio, hotelaria e turismo do Bié e empresários do ramo traçam políticas inerentes ao desenvolvimento do sector, com vista a atrair mais investidores a nível da província.

O chefe local do departamento de hotelaria e turismo, Isaías Lucondo, disse que a província precisa de estabelecer políticas para o desenvolvimento do sector.

Para tal, acrescentou, torna-se imperiosa a reabilitação das diferentes áreas turísticas, assim como as vias de acesso a esses locais.
“A província precisa de divulgar o seu potencial turístico para despertar interesse aos turistas e investidores, competindo assim com as demais do país”, disse Isaías Lucondo.

Na óptica do responsável do departamento de hotelaria e turismo, o Bié possui áreas que permitem desenvolver todo tipo de actividades do sector, com particular realce para as áreas de lazer, de negócio, desporto e outras, como frisou.

Isaías Lucondo convida, nesse sentido, a classe empresarial do ramo a concorrer à exploração dos sítios já localizados existentes no Bié.

Sublinha, por outro lado, que na capital do Bié, os centros turísticos da Chicava, do Sangongolo, piscina do Caluapanda, bem com a zona adjacente ao rio Cunje, na comuna com o mesmo nome, a sete quilómetros do Cuito, são alguns de referência local.

Sem enumerar o total de hotéis, hospedarias e pensões existentes na província, o chefe de Departamento de Hotelaria e Turismo do Bié referiu, também, que o atendimento hoteleiro na região hoje é razoável.

“Para atrair investimentos na província, torna-se, necessário estender o raio da acção para o sector turístico, já que o Bié conta com muitas áreas férteis nesse campo e que precisam de ser exploradas”, disse.

Pontos de referência
Além do já referenciado Centro Geodésico de Angola, em Camacupa, e a nascente do rio Kwanza, na localidade de Mumbué, no município do Chitembo, o Bié conta com outros pontos de referência turística. O rio Kwanza, que a par do Centro Geodésico, é um verdadeiro cartão de visitas da província, dá nome à unidade monetária do país e a duas províncias, sendo uma na margem Sul e outra no Norte, que chegou a ser o berço do antigo reino do Ndongo.

Este gigante, ligado ao potencial hídrico do país, tem um curso de mais de 900 quilómetros e a sua foz está no Oceano Atlântico, Sul de Luanda, na Barra do Kwanza.

Nesse particular pode destacar-se lagoas, cascatas florestas e algumas ruínas de interesse histórico, como o Cristo-Rei, construído pelos portugueses e que se encontra junto do marco do centro geográfico do país, assim como os fortes de Silva Porto e do Munhango, ambos monumentos seculares, que aguardam por restauração.

O jardim Espelho d’Água, vulgarmente apelidado de “Pouca Vergonha”, nome que se deve à estátua que representa uma mulher nua; as grutas paleolíticas e da rainha de Chiconde, no Morro Tchimbango, um local onde se comemora, todos os anos a 13 de Maio, a lenda da aparição da virgem aos três pastorinhos.

Há ainda, a destacar, nesse sentido, as ruínas do forte, em Nharea, que foi destruído durante a guerra civil, bem como a lagoa do Cambândua, com cerca de três quilómetros de comprimento formada por um afluente do rio kakuito, as quedas de Mutumbo, no Chitembo, assim como as do Lau-Lau, na margem do rio Luando.

A reservas florestais de Umpulo, com uma área de mais de 4.000 quilómetros e rica em espécies exóticas, e a natural integral do Luango, que é partilhada com a província de Malanje, conhecida como um paraíso de aves, devido à enorme variedade que aí existe, são, também, outras das referências incontornáveis do turismo no Bié.

Estratégia do sector
Como forma de traçar metas e políticas para fomentar a actividade do sector, vários operadores do turismo no Bié participaram, em Outubro último, na cidade do Cuito, num encontro provincial sobre estratégia e funcionamento deste.

Realizado sob iniciativa do governo do Bié, através da direcção provincial do comércio, hotelaria e turismo, o evento visou definir a estratégia e funcionamento do sector nessa zona circunscrita ao planalto central do país.

No mesmo, debateu-se também, o pacote legislativo do sector de hotelaria e turismo, o licenciamento da actividade e outros aspectos.