A Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-pecuárias de Angola (UNACA) defende o envolvimento das organizações de camponeses e as cooperativas com o objectivo de se criar junto das comunidades as cantinas rurais.

Esta posição foi assumida pelo presidente da direcção executiva da Unaca-confederação, Albano da Silva Lussati, em entrevista ao JE, quando reagia ao projecto integrado para a comercialização da produção rural, apresentado, recentemente, pelo Executivo angolano.
“É um bom projecto o do Executivo, porque num sistema como é o nosso de economia de mercado, são os privados que devem ter um papel fundamental, e o Estado regulamentar este funcionamento”, destaca.
Quanto à fixação dos preços de aquisição dos produtos aos produtores, o responsável assegura que deve ser discutido na base dos custos de produção e “não impor aos produtores os preços achados convenientes pelos empresários”.
Numa altura em que praticamente as estradas principais, secundárias e terciárias estão degradadas, Albano da Silva Lussati destaca que será difícil desenvolver o projecto, sobretudo no interior do país onde estão os maiores produtores e as cooperativas com um nível de organização aceitável.
Por ser uma iniciativa de grande importância “julgamos que pode começar-se pelas zonas de fácil acesso, enquanto o Governo reabilita outras vias para a conclusão do projecto a nível do país, uma vez que há muito produto a deteriorar-se”.

Estimular a produção
O projecto integrado para a comercialização da produção rural, que será apresentado oficialmente dentro de alguns meses tem como foco, impulsionar o desenvolvimento, integração nacional e o escoamento de produtos do campo para os grandes centros de consumo.
O projecto que tem como promotor o Ministério do Comércio visa desenvolver as zonas com potencial agrícola, sendo que caberá ao Executivo a criação de bases, com destaque para as infra-estruturas (estradas secundárias e terciárias) e plataformas logísticas e de distribuição, cabendo ao sector privado a sua operacionalização, encontrar soluções para financiar quer por via da banca privada nacional ou internacional.
Numa fase inicial, serão eleitas áreas onde se desenvolverão programas-pilotos, e que depois a implementação será efectivada de forma paulatina em toda a extensão do território nacional.
A iniciativa governamental poderá eliminar os constrangimentos no processo de escoamento dos produtos do campo e reduzir as importações, sendo que a curto e médio prazos, elevar os excedentes para a sua exportação.

Infra-Estruturas
do papagro vão ajudar o projecto

A construção das infra-estruturas em apoio ao projecto foi defendida pela Unaca para que o projecto do Governo tenha os resultados esperados, mas “é importante que se recuperem as infra-estruturas abandonadas em algumas regiões do país, onde funcionou o Programa de Aquisição dos Produtos Agro-Pecuários (PAPAGRO)”.
Para a sustentabilidade do projecto, o gestor entende que só terá sucesso com o empenho do Governo e dos produtores “criando condições de apoio dos inputs agrícolas aos produtores para permitir o aumento da produção”.
Um dos grandes objectivos do Papagro é o de “promover e manter um conjunto de infra-estruturas logística, de circuitos comerciais e uma rede de distribuição que, possibilitando a realização de excedentes de produção e o abastecimento de todo o território em “inputs” produtivos e bens de consumo essenciais, contribuindo activamente para a eliminação da fome e da pobreza bem como para o desenvolvimento harmonioso do território e a valorização da posição geo-estratégica de Angola”.

Fomentar o cooperativismo

A Unaca espera para a época agrícola 2017/2018 uma produção satisfatória, a julgar pela baixa dos preços dos fertilizantes, que poderão contribuir para o aumento da produção.
Se na época agrícol 2014/2015, o saco de adubo estava a custar entre 25 e 30 mil kwanzas, hoje custa entre 5.500 e 7.200 kwanzas.
 Albano da Silva Lussati destacou ser “prematuro” avançar quaisquer dados, sendo que está a ser feito o trabalho de estatística a nível das estruturas intermédias para a recolha de dados.

Controlo
Actualmente, a Unaca controla 834.367 associados, sendo 410.411 homens, representando 49 por cento e 423.956 mulheres (51).
A Unaca tem por vocação representar e defender os interesses dos camponeses junto das instituições governamentais.
Nesta conformidade, segundo avançou, a agremiação tem participado nas reuniões e conselhos consultivos dos Ministérios que detêm responsabilidades de elaborar as políticas de produção agrícola, sobretudo o sector da agricultura familiar e do fomento do cooperativismo para uma diversificação efectiva da economia nacional.
A Unaca completou no dia 6 de Fevereiro, 28 anos de existência.