O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) através do Fundo Global do Ambiente(GEF) disponibilizou 10,9 milhões de dólares para financiar a terceira fase do projectos de gestão integrada do Grande Ecossistema da Corrente de Benguela (BCLME). A informação foi avançada recentemente pela ministra das Pescas e do Mar, Vitória de Barros Neto.

De acordo com a governante, que discursava durante a cerimónia de lançamento da terceira fase do projecto de desenvolvimento inclusivo e sustentável do BCLME que terá como foco a governança dos mares e oceanos e o reforço da coordenação intersectorial a nível nacional.
Considerou, a ministra, que o papel que o Grande Ecossistema da Corrente de Benguela(BCC) desempenha na produção de alimentos, na actividade económica, na biodiversidade genética e no recreio e lazer das populações impõe projectos auto-sustentáveis para preservar esta biodiversidade.
O BCC é partilhado entre Angola, Namíbia e África do Sul no quadro da Convenção da Corrente de Benguela.
A ministra das pescas e do mar, Vitória de Barros Neto manifestou-se ainda preocupada com a exploração desenfreada dos recursos marinhos daquele “Grande Ecossistema”, que tem sido ainda perturbado pela ocupação desordenada do litoral e pelas alterações climáticas .
“Afectando deste modo os valores patrimoniais existentes, a qualidade do ambiente em geral e a capacidade de regeneração dos ecossistemas”, apontou a governante, assinalando que “a gestão dos oceanos, no âmbito da sua sustentabilidade global, deve obedecer uma perspectiva transversal e integrada”.
Para a ministra, com a execução do projecto BCLME III, a Convenção da Corrente de Benguela terá bases para apoiar os países membros a integrarem e incorporarem as prioridades transfronteiriças e vinculá-las às políticas e planos de desenvolvimento nacional.
Na ocasião, a governante anunciou ainda que Angola está “em processo de criação de uma Estratégia Nacional do Mar, que vai definir os objectivos, as medidas e acções direccionadas aos diversos sectores com a intervenção do mar, assim como uma visão comum e coordenada”, disse a ministra, destacando que a primeira fase do BCLME permitiu aplicar nos países que partilham a BCC o conceito da gestão das pescas uma perspectiva ecossistémica, enquanto a segunda fase visou o suporte para o estabelecimento da Convenção da Corrente de Benguela.
O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Gotz Schroth diz ser um projecto muito ambicioso que o GEF tem o prazer de financiar. Trata-se de projectos regionais envolvendo três países que partilham o mesmo mar e recursos, e que entendem ser importante traçar políticas que protejam o ecossistema.
Gotz Schroth adianta que a Convenção da Corrente de Benguela (BCC) é a primeira comissão intergovernamental a nível mundial que se baseia no conceito de governação oceânica de um Grande Ecossistema Marinho, tratando-se no entanto, de um avanço, rumo à gestão dos recursos a uma escala maior do ecossistema e do equilíbrio das necessidades humanas, relativamente aos imperativos de conservação.
A Convenção da Corrente de Benguela é um tratado formal entre os três governos que delineia as intenções desses países quanto à “promoção de uma abordagem regional coordenada da conservação a longo termo, conservação, protecção, reabilitação, melhoramento e utilização sustentável do Grande Ecossistema Marinho da Corrente de Benguela, tendo em vista proporcionar benefícios económicos, ambientais e sociais.”
O lançamento da terceira fase do BCLME juntou técnicos do Ministério das Pescas e do Mar, do Ambiente e Recursos Minerais.