Para atender a elevada demanda dos seus serviços em todo o país, o BDA deve criar, pelo menos, três agências de âmbito regionais, nomeadamente nas regiões Norte, Centro e Sul, para satisfazer, com maior eficiência e rapidez, os pedidos de financiamento. Esta foi a sugestão avançada pelo consultor do BDA na província da Huíla, Afonso Alberto Namuele, na entrevista que concedeu ao JE.


Como avalia o impacto dos projectos financiados pelo BDA na Huíla? 
A acção do BDA tem um âmbito muito específico que é o financiamento da cadeia produtiva ou do sector agro-pecuário e industrial. Importa referir que o BDA aposta em projectos que a maior parte dos bancos comerciais não aceita aprovar devido ao elevado risco. Só por isso, a sua acção já é positiva.
Na Huíla foram identificadas as potencialidades agrícolas, pecuárias e industriais e criou-se aquilo que chamamos de “manchas de investimento”, ou áreas (como Matala, Humpata, etc.) e produtos como cereais e leguminosas com potencial para investimento através do qual foram financiados muitos projectos que estão a dinamizar a actividade agro-industrial e a gerar novos postos de trabalho.

Quais são os principais constrangimentos existentes neste processo de financiamento do BDA?
O processo de reunir toda documentação exigida é difícil. Além disso, o BDA possui apenas uma agência que fica na capital do país. A falta de agências do BDA a nível das províncias obriga a que os investidores agrícolas se desloquem regularmente a Luanda para a entrevista com o BDA. O que nem sempre é possível para alguns.
Os que beneficiaram reclamam também a falta de qualidade de alguns meios disponibilizados pelo BDA através dos seus fornecedores e o tempo que demora o processo de aprovação dos projectos. Nos últimos dois anos, alguns que já beneficiaram de financiamentos tiveram dificuldades de honrar os seus compromissos devido à estiagem que se verificou em algumas zonas do país. Enfim, ainda existem algumas dificuldades, mas no geral o balanço é positivo.

O que sugere então para se resolver esses constrangimentos e tornar o processo mais eficiente?
Antes importa referir que nos primeiros anos de actividade o processo era rápido e demorava em média três meses. O sucesso dos primeiros projectos financiados gerou credibilidade à instituição, facto que motivou muitos investidores a solicitarem os serviços do BDA. Por isso, nos anos seguintes os pedidos avolumaram-se e o processo tornou-se lento, demorando agora um ou dois anos, no mínimo, ou menos tempo caso o processo esteja completo.
Para minimizar a situação actual é preciso que o BDA crie representações provinciais ou pelo menos três agências regionais e reforce o papel dos consultores no sentido de acompanharem a execução dos projectos no terreno. É evidente que isto implica uma renegociação dos seus honorários devido aos encargos de deslocamentos em áreas longínquas, comunicações, elaboração de estudos de viabilidade económica e técnica, etc.