Azafama e o frenesim toma conta das pessoas que se dirigem aos mercados do Kifica no bairro Benfica, e da Madeira situado no bairro Morro Bento, distrito  do município de Belas, principais postos de venda de materiais de construção. Alí há de tudo, desde um simples prego ao mais sofisticado material eléctrico.
As filas para entrar nos dois mercados enchem todos os dias, principalmente nas manhãs de sábado. Ávidos em ter uma casa própria, todos movimentam-se para o interior do mercado para comprar o material, acompanhados de jovens roboteiros, que encaram a oportunidade para fazer alguns trocados dos compradores.
Logo à entrada, o cliente depara-se com um aglomerado de jovens que cada um vai dizendo o que sabe fazer, como: canalizadores, electricistas, estucadores, ladrilhadores, enfim, sabem tudo. “Cota estás a ver aquele primeiro andares, eu é que ladrilhei”, afirmou, um jovem que se identifica por mestre Chile.

Kifica
No interior do mercado Kifica, os materiais de construção estã0 perfilados em bancadas. A senhora Joana Madili, nestas lides há muitos anos, foi a interlocutora. Conhece o mercado de les-a-les. Por cada lata de tinta de cinco litros, de água, vende a 3.000 kwanzas, um saco de cimento que até Dezembro do ano passado custava 950 kwanzas, está ser vendido a 850 kz, menos de 100 em relação ao período citado.
Um saco de cimento cola de 25kg custa 2.000 kz, cal 2.000 kz, massa de estuque também 2 mil kz, um candeeiro 3.500 kz, um carro de mão 5.000 kz, um chuveiro 3.000, um rolo de cabos de material eléctrico custa 2.500 kwanzas e armadura, 2.000kz.
O material usado na canalização está ligeiramente baixo. Por  exemplo, um tubo denominado curva de 50 custa 500 kz e de 40 vale 800 kz, contra os 400 e 700 anteriores e um de 110 milímetros custa 1.000 kz.
Os preços são os mesmos praticados por Pedro Carlos, que está imbuído na venda do material, e Marta Felícia que vive desta prática há mais de 15 anos. Todos os vendedores contactados consideram que o negócio já foi no passado um “El dourado”. Os lucros rendiam muito.
Ao longo do mercado perfilam muitas lojas, com o mesmo propósito, assim como pequenos armazéns. Na tentativa de antecipar os clientes. Porém, muitos preferem ir às bancadas por haver um desconto de 100 kwanzas, se comparado com os estabelecimentos comerciais. Bravo Castro é um exemplo. Troca a loja pelo mercado.  Viegas Castro está a erguer um edifício nas imediações do bairro Benfica. Ele diz que vai aos armazéns para comprar algum material que eventualmente o mercado não possui.
O JE pode constatar que, em muitas bancadas, o material é fornecido pelos proprietários dos armazéns, já que os preços por eles praticados são ligeiramente mais altos e há preferência pelos clientes a aderirem ao mercado.

Madeira
Na entrada do mercado da “Madeira” a cena é semelhante. Alguns preços são baixos. O empurra, empurra é o mesmo. Bancadas fora, armazéns, e quintais transformados em armazéns faz o cenário. O vendedor paga uns módicos kwanzas ao proprietário do espaço.
Lá se foi o tempo em que depois da jornada havia brindes face aos lucros alcançados no final do dia, os rendimentos já não dão para muito. Por isso, implementaram a kixiquila para arregimentar mais alguns valores. Um saco de cimento varia até 750 kz. O resto do material e a diferênça do preço em relação ao Kifica vai aos 100 kwanzas.
Alí, as lojas também são preteridas, dada à conversa e o desconto que pode haver entre as partes no interior do mercado.
Empregos
No mercado do Kifica, a administração local calcula que existam mais de mil e 500 pessoas a efectuar o comércio dentro e fora, excluindo os roboteiros. No da “Madeira”  o número de comerciante atinge a faixa de mais de mil pessoas.

Isenção
A isenção de impostos aduaneiros e de consumo sobre os materiais para construção de residências estão também a contribuir para a queda de preços dos principais materiais.
Vai resultar numa maior diversidade e qualidade do material, utilizado em obras de baixo custo e propiciar a unificação dos factores necessários à construção de habitações próprias por parte da população e de aceleração do programa de reconstrução nacional.

Decreto
O Conselho de Ministros aprovou em Julho, um decreto-lei concedendo a isenção de pagamento de direitos aduaneiros e impostos de consumo para mercadorias destinadas à construção de habitações sociais.
Na altura, o Executivo chamou a atenção aos fiscais para trabalharem nos mercados e   verificar se os preços dos materiais isentos de impostos
baixaram ou não.