O engenheiro agrónomo, Fernando Pacheco, indicou que os possíveis caminhos para o sucesso da agricultura no país passam necessariamente pela melhoria das infra-estruturas, como estradas, telecomunicações, mercados e o reforço institucional.
O especialista, que falava ontem em Luanda, durante o primeiro seminário sobre o “Agro-negócio em Angola”, diz ser inaceitável que em 44 anos depois da Independência, o comércio rural ainda não esteja estruturado”.
“É lamentável que a agricultura em Angola deixou de ser a base para o desenvolvimento”, sublinhou o especialista, afirmando ser fundamental melhorar a viabilidade dos projectos.
Fernando Pacheco explicou que os factores que limitam o desenvolvimento do agro-negocio assentam em terras, água, sementes e fertilizantes, máquinas e equipamentos, combustível, conhecimento, investigação, crédito e outras modalidades de financiamento.
“O acesso ao crédito para os projectos agrícolas tem sido pouco transparente e as pessoas que conseguem é por força de influências pessoais”, disse.

Entraves
Na ocasião, o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, José Bettencourt, realçou que o sector foi muito prejudicado com a importação.
“Ninguém se dedicou à estruturação do comércio rural”, frisou.
Destacou que deve se definir prioridades em termos de culturas e apostar no crédito com taxas de juro atractivas, tendo acrescentando que o país continua a importar aproximadamente 600 mil toneladas de arroz/ano e 700 mil de açúcar, numa altura em que “não produz óleo vegetal”.
O governante avançou que está a ser feito um trabalho com as organizações internacionais, através de um projecto denominado “escolas de campo”, onde estão a ser ministradas técnicas para o melhoramento da agricultura, cujos resultados já são visíveis nas províncias do Huambo, Bié e Huíla.
Para o consultor, Carlos Figueiredo, há muitas oportunidades no agro-negócio, mas também, muitas barreiras que resultam na baixa produtividade dos camponeses.
Salientou que o sector agrícola continua a ter um investimento abaixo do recomendado, por várias instituições internacionais.