O sector rodoviário e portuário constituem-se nos principais eixos de dinamização económica pretedendido pelo governo local

O governo do Zaire traçou como principais metas para o período de 2010-2011 investir fortemente nos sectores da saúde, educação e infra-estruturas rodoviárias e portuárias, a fim de dinamizar a economia local. A informação foi avançada recentemente pelo governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, no município do Soyo.

Apesar de não adiantar os valores para os investimentos previstos para o próximo ano, o governante salientou tratar-se de somas avultadas, que competem ao Governo central fazer a divulgação dos montantes. Com a reabilitação das infra-estruturas rodoviárias e portuárias, vai-se facilitar a circulação de pessoas e bens, além de poderem vir a encurtar o tempo que se faz por exemplo do Zaire a Luanda.

Entre as demais infra-estruturas, Pedro Sebastião destacou também as do ramo hoteleiro, as piscinas municipais, as escolas e os postos médicos, que estão a ser erguidos no âmbito do programa de investimentos central. Para ele, o balanço que se faz em torno dos 35 anos da independência é positivo.

Segundo Pedro Sebastião, dentre os vários projectos que estão a ser edificados na província, destaca-se o Angola LNG, que qualificou como sendo sinónimo de crescimento e desenvolvimento local, na medida em que as principais infra-estruturas vão dando vida a tudo quanto foi destruído durante o conflito armado e os que não foram possíveis de erguer depois da instabilidade. “A normalização das estruturas do Estado é tudo o que os cidadãos querem, no sentido de encurtar a distância entre as instituições do Estado e as populações”, disse.

De acordo com dados, a província do Zaire tem como capital a cidade de Mbanza Congo e conta actualmente com mais de 600 mil habitantes, ocupando uma área de 40.130 quilómetros quadrados. Com seis municípios, nomeadamente Mbanza Congo, Soyo, Nzeto, Cuimba, Nóqui e Tomboco, assiste hoje à construção de uma das maiores obras de engenharia do período pós-independência, o projecto LNG, que já custou cerca de nove mil milhões de dólares norte-americanos aos investidores. Este projecto é, na visão do governador provincial, o maior orgulho não só das populações locais, mas também para o país, na medida em que poderá criar, só para a província, mais de 500 novos empregos e permitir a alavancagem da economia na região Norte de Angola.

“O turismo será, de certeza, uma das áreas que poderá beneficiar directamente deste projecto”, sublinhou. Segundo o chefe do executivo local, as dificuldades estão a ser colmatadas aos poucos. Os principais serviços começam já a encurtar a distância que os cidadãos enfrentavam no passado. Por exemplo, o que era apenas feito na capital do país ou em Cabinda, doravante começa a ser feito a nível da província. Aos poucos, vai-se normalizando a administração do Estado.

Empreendimentos

O Porto do Soyo, na província, é visto como sendo uma obra que vai aumentar o quadro de investimentos em infra-estruturas técnicas e administrativas, para corresponder à demanda do crescimento económico na região do país e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), daí o seu carácter estratégico.

De acordo com dados avançados, o programa de desenvolvimento para 2010 e 2011 visa a aquisição de equipamentos portuários e a construção de mais 300 metros de cais, a construção de um novo edifício administrativo principal e dos portos secos dos municípios do Nzeto e do Tomboco.

Pedro Sebastião fez igualmente referência às novas descobertas nos blocos petrolíferos da região e a entrada para breve da produção da fábrica de gás liquefeito “Angola LNG”, cujo arranque vai impulsionar o turismo local, sobretudo com a implementação de novos projectos. As perspectivas de novos dados sobre o crescimento da indústria, pescas, comércio e outros são, também, apresentados como factores que vão animar os investimentos em vários sectores da economia local.

Além dos empreendimentos enunciados, constam também a reabilitação e o apetrechamento do Porto do Nóqui, que constitui uma unidade de produção ligada ao Porto do Soyo. O responsável não avançou os valores monetários a serem empregues nos investimentos em perspectiva, mas disse estarem igualmente em carteira a ampliação de portos secos, projectados para suporte à actividade da Empresa Portuária do Soyo, que serão criados na área do “Campo 8”, com 10 hectares, enquanto outro de 30 hectares será erguido entre as localidades do Tomboco e do Nzeto, cerca de 200 quilómetros a Sul da cidade petrolífera.

O novo edifício do porto inclui um “Guiché Único”, com as actividades dos serviços das Alfândegas, despachantes oficiais, agentes de navegação e serviços afins, reservando ainda áreas para a instalação das agências do Banco de Comércio e Indústria (BCI), do Banco BIC e do Banco Sol.

Com a actual capacidade instalada, o Porto fluvial do Soyo recebe a atracagem, em simultâneo, de cinco navios de longo curso/dia, oriundos da Europa, América, Ásia e de outros países de África, movimentando anualmente mais de sete milhões e 600 mil toneladas de mercadorias importadas e exportadas.

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