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Sector carece de técnicos mais qualificados: Investimento em gráficas

Autor: Mateus Cavumbo

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A elevada taxa de crescimento da economia angolana pode ser aproveitada pelos operadores do mercado gráfico como factor de reforço do posicionamento estratégico deste segmento que, em grande medida, exerce papel fundamental na oferta de vários serviços.

Na avaliação do presidente da Inapa Angola, Horácio Fonseca, este sector tem grande potencial de crescimento. Para ele, os custos de produção não acontece somente na indústria em referência, mas em todos sectores da economia nacional, daí que devem ser feitos investimentos variados em equipamentos adequados e dimensionados a fim de se atingir os objectivos que se pretendem, nomeadamente o tipo de trabalho, quantidades das tiragens e os níveis de qualidade requeridos.
Presidente da Inapa Angola, Horácio Fonseca

Como avalia o mercado gráfico nacional?
O mercado gráfico nacional tem um potencial de crescimento elevado que no nosso ponto de vista está associado fundamentalmente a dois factores:
I) Crescimento da economia e diversificação da mesma, uma aposta e um desafio do Governo de Angola.
II) A execução em território nacional de muitos trabalhos que ainda são produzidos no exterior. Em quatro anos que levamos de actividade, percebemos que o mercado tem crescido em volume de trabalho e evoluído em tipos de trabalho que solicitam as gráficas. É um sector da economia que está em crescimento.

À medida que a economia cresce surgem mais clientes para as gráficas. O sector gráfico (empresas) vive e desenvolve-se ao ritmo de uma economia em crescimento, porque empresas existentes e novas que surgem, com a economia a crescer, necessitam de mais produtos produzidos pelas gráficas.

Será que as gráficas surgidas nos últimos cinco anos já cobrem grande parte das necessidades reais do país?
O número de gráficas existentes, além de cobrir as necessidades do país, estão preparadas para responder a todo o tipo de trabalhos. Apesar de quase todas elas estarem concentradas em Luanda (existem 3/ 4 em Lobito (Benguela), haverá espaço em algumas províncias para gráficas de pequena dimensão.

Até que ponto os investimentos nesta área justificam-se atendendo ao facto de o custo de produção estar encarecido?
Os custos de produção são uma realidade em todos os sectores da economia nacional, desde que sejam feitos investimentos em equipamentos adequados e dimensionados para um objectivo que se pretende realizar (tipo de trabalho, quantidade das tiragens e níveis de qualidade pretendidos), são sempre justificados. Os investimentos devem ser feitos numa perspectiva da evolução do próprio mercado e seu desenvolvimento. O sector tem que se afirmar no mercado, e passar a mensagem de que tem condições para produzir no país todo o tipo de trabalhos e com qualidade.

Quais as maiores dificuldades que as gráficas se deparam no dia-a-dia?
No nosso contacto diário com as empresas gráficas, as maiores dificuldades que sentimos são: a falta de pessoal especializado (impressores, área da pré-impressão e gestão). Notamos que também há falta de empresas na área da assistência técnica para os equipamentos.

Director-Geral da Mercográfica, Victor Alves

A formação a nível médio e superior na área de Artes Gráficas torna-se cada vez mais imperativa em Angola, defende o director da Mercográfica, Victor Alves. Olhando para o rumo em que o sector está a caminhar, o responsável diz que o mercado gráfico nacional está a crescer satisfatoriamente, a julgar pelo surgimento de mais empresas com tendência competitiva a nível nacional e internacional. A grande preocupação reside fundamentalmente na formação, criando incentivos para a juventude aderir à profissão. Ele afirma que não basta a compra de equipamento moderno sem que se forme o pessoal técnico para manuseá-lo. A outra questão levantada são as matérias primas, que encarecem os custos de produção, além da contratação de quadros expatriados.

Como avalia o mercado gráfico nacional?
O mercado gráfico nacional regista um grande momento de crescimento, devido ao surgimento de mais gráficas com tendência competitiva a nível nacional e internacional, empregando equipamentos de ponta.


Será que as gráficas surgidas nos últimos cinco anos já cobrem grande parte das necessidades reais do país?
É relativo num país com a dimensão de Angola, pois tem menos de 40 gráficas e uma média de 70 por cento das gráficas possuem equipamentos com mais de 60 anos. Por este facto, considero que temos um parque gráfico "doente" para responder às necessidades locais com qualidade e exactidão. A situação se agrava ainda mais, porque durante 20/30 anos, não se investiu nem técnica e nem humanamente. Quero eu com isto dizer que a preocupação fundamental neste momento reside na formação do homem, criando incentivo para juventude aderir a esta grande arte e profissão. Tem de haver uma coordenação entre o Ministério da Indústria e o Mapess para a criação de centros de formação profissional para a área gráfica. Hoje no mundo das artes gráficas já se fala em formação média e superior. Por isso, faço um repto à actual gestão do Ministério da Indústria na solução da formação a vários níveis.

Até que ponto os investimentos nesta área se justificam atendendo ao facto de o custo de produção estar encarecido?
O investimento tem de ser simultânea a tecnologia e formação, porque faz-se um bom investimento tecnológico, mas não temos técnicos nacionais para operar os equipamentos, abrindo um grande espaço para a força de trabalho expatriada. Os custos de produção encarece por várias razões: paga-se ao expatriado 20 vezes mais que um nacional. Há um outro fenómeno ligado à matéria-prima. Neste momento não produzimos papel, nem químicos e nem peças de reposição. Todas as gráficas importam matérias de vários mercados do mundo. Corre-se o risco de as gráficas históricas em Angola desaparacerem, por falta de incentivo ao crédito.

Quais as maiores dificuldades que as gráficas se deparam no dia-a-dia?
O mercado está a entrar para uma fase de estagnação, devido à falta de clientes. A maior parte das empresas recorre ao estrangeiro para produzir o material. Há a necessidade de uma associação industrial gráfica para regular alguns pressupostos legais e justos, a fim de proteger a pequena indústria gráfica nacional e permitir a expansão para as demais províncias.

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