Andam aos montes e estão em todo lado na capital, na maioria dos casos, jovens de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos. Saem de várias partes da cidade, o destino privilegiado é o Largo Primeiro de Maio, onde encontram o espaço cómodo para patinar. Já considerada uma “febre” para os jovens, que ignoram os perigos das ruas.
O preço de um patim oscila entre os dez e os 18 mil kwanzas, independentemente da marca. Este fenómeno massivo, que se tornou comum em Luanda, já tomou proporções nacionais, sendo habitual ver-se gente que anda de patins nas províncias. A nossa reportagem procurou ouvir de jovens que praticam diariamente, este que pode ser o novo “hobby”, a patinagem, o que está na base desta realidade que toma as ruas, levando amigos, mesmo sem condições para adiquirirem um par, a se esforçarem para entrar na onda.
Por exemplo, Jairo Martins, estudante de 21 anos, que lidera um grupo de sete patinadores, diz que, além de ser uma forma de diversão, serve também para passar o tempo e evitar que muitos amigos seus ingrenem na delinquência. Ele, segundo confessa, sempre teve paixão por desportos radicais, mas como o país não proporciona condições para a prática, partiu para a patinagem, como forma de amainar o seu sonho. “As pessoas não têm ideia de como isso é diversão agradavel. Andar de patins alivia o estresse e faz bem à saúde”, reconheceu.
Em Luanda, o número de praticantes de patinagem aumentou este ano, hoje estes podem rondar os cerca de dois mil praticantes, e tende a subir, porque cada dia surgem novos adeptos, inclusive crianças dos cinco aos 10 anos.
Carlos Jaime, 18 anos, revelou que o melhor presente que recebeu de sua mãe, foram os seus patins. A praticar já há seis meses, diz ser uma maravilha e confessa estar viciado. Questionado se esta rotina não atrapalha os estudos, este afirma que sabe conciliar. Por exemplo, ele vive na Maianga e sai de casa às 18 horas, já sob rodas, regressa somente às 21 horas para descansar. O mesmo estuda no período da manhã, o que lhe permite revisar a matéria antes de sair de casa. “É uma rotina quase diária, já não me sinto bem sem isso”, admite.

Perigo eminente
Os perigos são inúmeros, muitos praticantes têm comportamentos inadequados na via pública, atravessam em locais impróprios, não respeitam os sinais de trânsito desrespeitam as normas de circulação rodoviária. Além disso, andam em grupos numerosos, dificultando o trânsito e muitas vezes causando engarrafamento e outros embaraços na via.
Segundo Marta Gaspar, patinadora de 19 anos, que já pratica há cerca de um ano e meio, muitos jovens morrem nesta aventura. Ela já assistiu um colega seu perder a vida no ano passado, “ele pendurou-se num camião e de repente este travou, o jovem perdeu o controlo e foi projectado para baixo do mesmo, sendo de seguida atropelado”, explica.
Já para João Samuel, funcionário público, que na altura passava no local, a falta de sítios indicados para a prática, leva muitos jovens a este comportamento, muitos perdem o medo do perigo, desobedecem às regras de trânsito. “A Polícia devia pôr mão nisto”, alerta.
A verdade é que esta prática veio para ficar. Os patins são hoje o sonho de qualquer criança, e muitas vezes, a dor de cabeça para muitos encarregados de educação, que receiam perder o controlo sobre os seus educandos, que saem de casa e circulam na cidade com todos os riscos possíveis que esta prática acarrecta. Mas aqui está uma oportunidade para o Executivo criar no país escolas de patinagem para fomentar o desporto profissional. Há praticantes e há vontade dos jovens.