Um pouco por todo o país encontramos jovens a usar penteados e tranças africanas que, além do factor beleza e estética, também revelam identidade cultural dos povos africanos, particularmente de Angola, e honram a cultura africana.
Apesar de ser feito de forma tímida no meio urbano nas camadas mais jovens e com maior incidência para as comunidades rurais, as tranças e penteados, jogam um papel preponderante tanto na beleza africana, como na própria afirmação da mulher como produto de um legado africano deixado pelos seus antepassados.
Para a antropóloga, Engrácia de Oliveira, uma das formas de os africanos, em particular os angolanos, recuperarem os seus valores culturais, éticos e morais, passa por primar pela valorização, preservação e divulgação dos penteados e tranças africanas por serem fortes sinais de identidade.

Valor cultural
Engrácia de Oliveira considera ainda fundamental fazer de cada penteado um traço típico da identidade cultural, para permitir que os mesmos sejam transmitidos para as novas gerações.
A antropóloga afirmou também que os penteados, tranças e outros adornos típicos africanos, além de serem elementos estéticos para as mulheres e homens, também fazem parte da cultura de cada região de Angola, além de ajudarem a determinar
e diferenciar cada povo.

Falta de interesse
A especialista lamentou, contudo, o facto de actualmente as mulheres interessarem-se muito pouco pelos penteados, optando mais por outras formas de tratar o cabelo de outras culturas de países diferentes.
A antropóloga salienta que a juventude angolana deve investigar mais sobre usos e costumes do seu povo, para desta forma poder usar elementos identitários da cultura angolana com orgulho.
Engrácia de Oliveira parabeniza àquelas instituições de ensino que durante alguns dias da semana instruem os alunos a apresentarem-se vestidos com trajes e penteados africanos, incutindo nos estudantes o regresso a estética identitária.
No que toca à visão das jovens sobre as tranças, Rosária Neves, estudante do ensino médio, apesar de dar um ar mais africano e elegante à mulher, também faz recuar nas raízes e valorização dos usos e costumes do povos, que nos dias de hoje estão baralhados com o fenómeno da aculturação.
“Os penteados e tranças africanas são lindos e remete-nos à tradição. A juventude segue muito a moda de outros paragens e esquecem-se de valorizar o que é nosso”, afirma Rosária Neves.
Nos dias que correm, já é possível, como no passado, mais mulheres usarem tranças e trajes africanos, o que representa um grande passo para aceitação e valorização da identidade africana. As tranças também têm significados e devem preocupar todos os amantes da africanidade.
A jovem estudante é de opinião que comprar cabelos vindos de outros países é dispendioso, sobretudo para quem não trabalha, cuja aposta deveria recair para as tranças, como símbolo cultural diz muita coisa.
Por exemplo, Sandra Tavares, estudante universitária, partilha da ideia de que os penteados e tranças trazem ao de cima a estética identitária da mulher africana, bem como a conservação da sua carapinha dura como factor de beleza e glamour que as mulheres angolanas em particular deviam apostar mais. “A juventude de hoje pouco sabe sobre a valorização das tranças africanas e muitos jovens esquecem-se que os penteados têm história e fazem parte do baluarte cultural africano”, afirma.