O papel das autoridades tradicionais na intermediação das relações entre o estado e as comunidades foi realçado pelo vice-governador da província de Luanda para a Área Social, Dionísio da Fonseca. O governante que falava na abertura do terceiro encontro provincial sobre as autoridades tradicionais, realizado no Centro Cultural Dr. Agostinho Neto, na localidade de Catete, informou existirem no país mais de 40 mil autoridades tradicionais. “O encontro realiza-se num momento em que se aproxima o processo de preparação e institucionalização das autarquias locais”, acentuou Dionísio da Fonseca.
Na ocasião, a ministra da cultura, Carolina Cerqueira, em representação do presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, salientou a necessidade de se promover uma ampla reflexão sobre o lugar e o papel das autoridades tradicionais nos processos de desenvolvimento comunitários e das autarquias locais, sendo que tal exercício exige um aturado estudo e de coabitação para a coexistência normativa entre o direito formal versus direito costumeiro, que apenas as autoridades tradicionais exercem por razões históricas.

Luanda reduz número de sobas
Manuel Sebastião, director provincial de Acção Social, Cultura, Juventude e Desportos da província de Luanda, anunciou durante a realização do evento, que a província que representa vai reduzir o número de autoridades tradicionais existentes . A decisão surge da constatação de que nem todos os sobas são membros de linhagens. Assim, o universo de cerca de 300 sobas existentes e que representam um esforço financeiro na ordem dos cinco milhões e meio de kwanzas/mês, com pagamento de salários, verá o número reduzido, avançando que os sobas despojados dos títulos exercerão outras funções junto das administrações municipais, distritais e comunais.