O astro do rock Bob Dylan não vai a Estocolmo para receber o seu Nobel da Literatura, conforme anunciou a academia sueca, responsável pela premiação, em comunicado citado pela agência Associated Press esta semana. Todos os anos, a 10 de Dezembro, os vencedores recebem
a condecoração das mãos do rei da Suécia durante uma cerimónia na sede do Governo do país e fazem um discurso.
A Academia afirmou que o músico norte-americano disse que “gostaria de receber o prémio pessoalmente, mas outros compromissos
tornam isso impossível, infelizmente”, referiu Dylan.

Contacto difícil
Bob Dylan foi anunciado como vencedor do Nobel da Literatura, no passado dia 13 de Outubro deste ano, “por criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana”.
Ele demorou a se pronunciar sobre o prémio e a academia chegoua divulgar que teria desistido de entrar em contacto com o artista, após várias tentativas.
“Se eu aceito o prémio? É claro”  afirmou Dylan, depois de duas semanas em silêncio, segundo um comunicado divulgado pela instituição sueca no fim do referido mês. “A notícia sobre o Prémio Nobel me deixou sem palavras. Eu agradeço muito por essa homenagem”, disse o artista.
Ao ser questionado se pretendia ir à cerimónia de premiação pelo jornal britânico “The Telegraph”, ele respondeu: “Absolutamente.
Se for possível”.

Decisão incomum
A Academia disse que “respeita a decisão de Dylan”, acrescentando que a sua escolha é “incomum, mas não excepcional”. Em 2004, o dramaturgo e escritor austríaco Elfriede Jelinek ficou em casa, citando uma fobia social.
Segundo a entidade responsável pelo Nobel, o prémio continua a ser de Bob Dylan. Ele terá seis meses para recebê-lo, depois do dia 10 de Dezembro, de acordo com o regulamento.

Escolha polémica
O cantor, de 75 anos, é considerado um dos mais importantes nomes da música do século XX. Pelo Nobel, ele poderá receber 8 milhões de coroas suecas (cerca de 1,2 milhão de dólares norte-americanos).
A opção do Nobel por um músico e não por um escritor de ofício, soou incomum e gerou polémica internacional depois do anúncio. O nome de Dylan, porém, vinha sendo citado há já vários anos.
Bob Dylan é também poeta e com diversos livros lançados. O artista é aclamado sobretudo pelo lirismo das suas letras. Neste ano, no entanto, ele não estava entre os favoritos nas casas de apostas do prémio que acontece todos anos.