Ser notável no meio de muitos e bons cantores é sempre uma tarefa árdua, que só quem tem “estofo” e música a correr pelas veias aguenta. Para o mercado musical, ou se faz sucesso ou “se bate na rocha” e fica-se pela intenção porque o público consumidor não dá tréguas a ninguém: quem quer cantar e subir nos palcos da ribalta tem de encantar também.

Terá sido a descoberta do enorme potencial que carregava dentro de si, a principal motivação do jovem músico, intérprete e compositor Kôndua Abreu Dias Martins ou simplesmente “Konde”.

O começo foi por influência de amigos, que faziam canto coral em igrejas. Desde logo, a interpretação de clássicos angolanos e brasileiros, dos mais variados géneros e estilos musicais, serviu de um bom ensaio. O caminho que se seguiu foi o das animações nocturnas, onde num trio formado, por volta do ano 2000, com Nilton Bonga e Nelson Camoço aqueciam as noites de Luanda.

A imponência e a sensualidade de sua voz, logo, fizeram vir ao de cima o talento e, daí, a notabilidade. Mas, foi mesmo a sua participação no projecto musical da cantora Armanda Cunha, que incluiu a música “Cantei” e “Dama de Rosa” na qual o público passou a conhecer a voz melódica de “Konde”.

Segundo o músico, a canção “Cantei” é a música da sua vida.

“Quando fiz a música e fui registá-la como minha na União dos Artistas e Compositores (UNAC), as pessoas duvidaram que eu era o seu autor, porque apresentava um conteúdo muito forte que tocava à alma e para eles um jovem como eu não seria capaz de ser o autor. Mandaram aguardar para estudarem a música e procurar se pertencesse a algum músico histórico de Angola. A dúvida era tanta que, certa vez, fiquei em dúvida comigo mesmo se já a tinha ouvido em algum sítio. Foi a música que até hoje me deu menos trabalho a compor e eu considero ser a canção da minha vida”, disse.