Os italianos entraram em 2018 a pensar como pesar um quilo de laranjas numa balança sem usar um saco de plástico. Os franceses viram o plástico das cotonetes ser proibido. Por cá, a discussão gera-se à volta dos copos, sim de plástico. Nalguns festivais de música, um dos locais com maior concentração de copos de plástico num espaço de três ou quatro dias, já foram ensaiadas, e com sucesso, alternativas aos copos de plástico fino vulgares.
Na última Primavera Sound de Portugal em vez dos cerca de 300 mil copos usuais, foram disponibilizados 150 mil copos ecológicos reutilizáveis. Os festivaleiros pagaram dois euros de caução no início e sempre que queriam uma cerveja era-lhe servida num novo copo reutilizável mediante a entrega do anterior. No fim da noite, entregavam o copo e recebiam os dois euros de volta. Foi remédio santo. Nunca as pessoas responsáveis pela limpeza tiveram tão pouco trabalho. Com o devido agradecimento do Planeta terra, já que os copos regulares (mais finos) não são recicláveis, vão directamente para o aterro onde demoram umas centenas de anos a decompor-se.
Em Itália, desde o dia 1 de Janeiro que se discute a entrada em vigor da nova lei que proíbe os estabelecimentos comerciais de disponibilizarem gratuitamente sacos de plástico aos clientes. A guerra estalou ainda antes do fim do ano, com alguns internautas a partilharem nas redes sociais formas de contornar a lei, como pesar cada laranja individualmente. É que a lei não só veta os sacos com alças, mas também aqueles que são utilizados para a fruta e legumes.
Os supermercados começaram a cobrar um a dois cêntimos por cada um destes sacos transparentes e os consumidores ficaram de boca aberta. O governo italiano diz que esta é uma “decisão pedagógica e tem origem numa directiva da União Europeia, de 2015, que tem como objetivo reduzir o consumo de sacos de plástico, muito poluentes para o meio ambiente.
Já os franceses começaram o ano com um entrave higiénico. A lei da biodiversidade entrou em vigor e com ela a proibição da utilização de um determinado tipo de plástico no fabrico de cotonetes. Recorde-se, por exemplo, que as”palhinhas de cotonetes” são um dos materiais mais encontrados nos areais portugueses, já que milhares são atiradas para a sanita.
A lei francesa vai ser aplicada aos poucos, se agora são as cotonetes, em 2020 será interdita a venda de pratos, copos e talheres feitos inteiramente de plástico. Serão apenas permitidos aqueles que forem feitos com 50 por cento de materiais biológicos, como amido de milho ou fibras têxteis, e mais tarde a percentagem sobe para 60 por cento.