Num mercado normal, a dança tal como outras actividades profissionais contribuem para o crescimento da economia. Esta constatação é Manuel Vieira Dias Tomás, director-geral do Ballet Tradicional Kilandukilu, ouvido pelo JE sobre o estado actual da dança no país.

Qual a avaliação que faz do estado actual da dança no país?
Lamentavelmente, há cada vez menos apoio e ela por si só vai encontrando bastante dificuldades, porque os meios para a sua materialização são bastante oneros. Ainda assim tem havido algumas iniciativas para a realização de vários espectáculos de dança.

Sente-se uma espécie de desvalorização dos grupos de dança por parte da sociedade. A que se deve este fenómeno?

Como poderá perceber, as iniciativas estão aí. Porém, os apoios é que são cada vez menores. Desvalorização não é bem o termo, mas sinto que os grupos são cada vez menos apoiados e isso tem às vezes inibido muitas iniciativas de grande dimensão que muitos grupos têm. Noutros casos, até por falta deste apoio muitos desistem. Ainda assim existem os persistentes que continuam no activo e a produzirem. O Kilandukilu é um caso destes. Ainda recentemente estivemos no Angola Fashion Week para apresentar obras em homenagem à Rainha Njinga, já que foi tema da edição deste ano.

Qual acha que devia ser o papel do ministério da Cultura para resgatar os grupos e valorizar mais a dança?

Quanto ao apoio do Ministério da Cultura, acho que este deveria criar iniciativas de incentivo para que algumas das leis como a do mecenato, por exemplo, funcionasse, e por via dela os artistas pudessem ter benefícios.

O Ballet Kilandukilu anda um tanto quanto sumido do “mapa”. O que têm estado a realizar de concreto?
Quanto à ausência do Kilandukilu, o que lhe posso dizer é que o grupo continua a trabalhar e naturalmente sempre que é convidado para um evento, participa, claro. O grupo continua a trabalhar, não obstante todas as adversidades com que vimos nos deparando. Só nós sabemos o que fazemos para continuar no activo. De qualquer modo, já começamos a preparar os 35 anos do ballet, que se vão comemorar em 2019. Queremos fazer um grande show associado a outras manifestações culturais. De referir que algumas das actividades que aqui enumeramos têm o apoio do movimento de revitalização da dança no país.

Acha que a dança pode ser rentável no contexto actual da nossa economia?

Se as políticas forem bem definidas, por que não ser rentável? Hoje já existem profissionais da dança que vivem dela, claro que ainda não é no número que gostaríamos,mas que já existem profissionais a viverem da dança posso lhe assegurar que sim .