O W-Club é uma das discotecas mais conhecidas e frequentadas de Luanda. Com uma capacidade máxima para 1.200 pessoas, conta com 60 trabalhadores, entre barmen, copeiros, caixas, seguranças e dj’s. A casa chega a receber por noite mais de 1.000 pessoas.

Segundo Costa Silva, gestor do recinto, neste período do ano, o facturação aumenta devido o regresso massivo ao país de angolanos radicados na diáspora e a solução para diversão nocturna tem sido as discotecas. “Ficamos as vezes sem soluções de espaços para atender a demanda que se tem registado por esta altura”, reconheceu.

A discoteca, que pertence ao grupo WJC, abre às quartas, sextas, sábados e domingos. A facturação diária atinge os kz dois milhões, como resultado da venda de cartões de entrada. O valor não inclui o consumo interno de bebidas e aperitivos.

O gestor disse ainda que as mulheres não pagam. “ Somos a única do género no país que pratica esta modalidade. Todos os dias em que estamos abertos, as senhoras não pagam o ingresso, o que atrai mais homens para a casa. Não lucramos só com as entradas, temos a bebida, mas assim de cálculo geral não posso precisar valores exactos. Os dias não iguais. O valor facturado é variável. É como em todo negócio, tem sempre altos e baixos”, ressaltou.

Apesar de não precisar o valor real dos lucros, o gestor reconheceu ser um negócio rentável, sobretudo nas vésperas de Natal, em que o país volta a receber angolanos que vivem na diáspora. “Nesta fase, a afluência é bastante grande, devido às ferias de muitos angolanos que vêem cá passar a quadra festiva, o que faz aumentar os esforços do pessoal e a própria facturação”, indicou.

Preços praticados

Com relação aos preços praticados, Costa Silva afirmou existir quase uma uniformização no valor dos ingressos a nível das discotecas em Luanda, reconhecendo haver variações ligeiras de duzentos ou trezentos kwanzas, numa ou noutra discoteca.

Por sua vez, entre as bebidas mais caras, destacam-se a Gordon Blue e a Red Blue, que custam entre kz 40 mil e 50 mil por garrafa. A Dimple pode custar cerca de 20 mil. Entre as mais baratas, constam as águas, comercializadas a kz 250. Segundo disse, os preços das bebidas e aperitivos variam de acordo com as salas. “Quem estiver na parte de cima, paga mais caro que os que se encontrarem na parte de baixo, ou seja, em cima, as bebidas são mais caras, por ser um área privilegiada e confortável”, revelou.

A Crise económica

O gestor reconheceu que a crise económica e financeira internacional chegou a afectar os rendimentos daquela casa nocturna no princípio do ano. “ Passamos três meses com algumas baixas. Houve uma ligeira queda no número de clientes e, em consequência disso, baixou a facturação. Considero que fomos afectados, mas esta fase passou. Estamos novamente optimistas quanto ao futuro”, afirmou.

Preparativos para o CAN

No que toca à realização do Campeonato Africano de Futebol, Costa Silva garantiu que têm as condições para receber os turistas que vão escalar Luanda. Salientou que, a par disso, algumas inovações estão a ser levadas a cabo no recinto para melhorar os serviços e o conforto dos clientes.

De acordo com Costa Silva, ainda no âmbito da parceria que esta tem com a revista Super Angola, a sua empresa vai promover os encantos do país. “Esta revista tem convénio com o Cocan Angola. O nosso objectivo é dar a conhecer aos turistas as potencialidades que a capital do país tem a oferecer, principalmente nos períodos nocturnos. Temos, inclusive, pessoal que domina línguas, para facilitar a comunicação e permitir o entrosamento entre nacionais e estrangeiros”, anunciou.

Éden Club

O Éden Clube tem sido outra grande alternativa de diversão nocturna em Luanda. O Clube já existe há três anos e tem uma capacidade para albergar 500 pessoas. Em termos de espaço é o maior da capital. Quanto ao pessoal, conta com 20 seguranças, 14 barmen, nove caixas, oito empregados de limpeza, igual número de copeiros e 2 dj’s. A facturação da casa só em ingressos atinge por noite kz 2 milhões.

Edson Carvalho é um dos gestores principais, formado em gestão de empresas, já trabalha no ramo desde 1996, tendo começado no Chiwawa e mais tarde no Bingo, onde exerceu as mesmas funções. Hoje, aos 30 anos, Edson garante que o negócio tornou-se mais interessante agora do que no passado. Apesar de não adiantar valores, afirmou ser muito rentável. “Hoje há mais clientes e melhores condições de operacionalidade”, disse.

Modalidade acesso

Segundo Edson Carvalho, a discoteca que dirige utiliza o sistema de cartões, que custam ao cliente kz três mil, caso seja do sexo masculino. As senhoras pagam apenas mil. Elas só não pagam a entrada aos domingos. Com a aquisição do cartão, o cliente pode consumir uma quantidade equivalente ao valor do mesmo. Ao contrário de outras casas, que abrem quatro ou cinco vezes por semana, esta apenas funciona às sextas-feiras, sábados e domingos.

Naquele local, as bebidas mais caras são o champanhe cristal, cotado em Kz 90 mil, seguido do whisky velho, cuja garrafa custa kz 20 mil, enquanto o novo é vendido a kz 10 mil. A mais barata é a água mineral, que custa kz 270 e as gasosas que estão a ser vendidas a kz 500.

De acordo com o gerente, o fino cuca é o mais consumido pelos clientes, sobretudo estrangeiros. Apesar dos lucros que o negócio tem proporcionado a este ramo, aquele gestor é de opinião que os espaços de diversão nocturna ainda são insuficientes pela forte demande que o mercado resista actualmente. Para ele, os que existem não têm tido capacidade para colmatar o défice gritante, principalmente na época de Natal. “Não temos espaço suficientes para atender a demanda em Luanda. É importante que surjam outras iniciativas para equilibrar o mercado”, frisou.

Para o CAN, estão a ser programadas festas temáticas, cujo enfoque principal será o de apoiar a selecção angolana.

Facturação das discotecas em segredo total

Se, na generalidade, como se costuma dizer, o segredo é a alma de um negócio, no caso das discotecas, ele será também, provavelmente, uma das condições para o sucesso. Ninguém quer apontar números, relativamente à facturação, investimentos, impostos, salários ou lucros. Resta saber como as entidades ligadas às actividades económicas ou à cobrança de contribuições fiscais se têm relacionado com os diversos espaços de diversão nocturna espalhados pela cidade e arredores.

Mas, mesmo sem números oficiais, um cálculo elementar nos pode dar uma imagem, seguramente por defeito, daquilo que uma discoteca pode facturar durante um mês.

Tomemos como exemplo, a W-Club, um espaço com uma capacidade de 1.200 pessoas, e que, em média, pode albergar 1.000, em cada um dos quatro dias da semana em que se encontra em funcionamento. Se a facturação diária é calculada em kz 2 milhões, significa que semanalmente factura 8 milhões, ou seja 32 milhões, mensalmente, ou seja qualquer coisa como USD 350 mil. Isto só em ingressos. É claro que, como diz o gestor Costa Silva, o valor facturado varia de dia para dia.

De fora desses números, fica o consumo, sendo que, para este, algumas bebidas são comercializadas a preços proibitivos.

Assim, se, por exemplo, forem vendidas, por dia, cinco garrafas de Gordon Blue, igual número de Red Blue e Dimple, estaremos perante uma facturação de kz 550 mil, ou seja, 2 milhões e 200 mil, por mês (USD 24.000). As águas custam kz 250 por unidade, o que significa que se forem consumidas 800 por dia renderão kz 200 mil (USD 2.200), o que soma USD 4.400/mês. Quanto aos refrescos, eles são vendidos a kz 500/unidade. Se forem consumidos 800/dia, a factura sobre para kz 400 mil (USD 4.400), ou seja USD 17.600/mês.

Feitas as contas, com base nos exemplos colocados, a casa pode chegar mensalmente aos USD 400 mil, num cálculo que pecará por defeito, seguramente. É um bom negócio, mesmo que sejam também altas as facturas relacionadas com o pagamento de salários, manutenção do espaço, arrendamento e os impostos pagos ao Ministério das Finanças.