O carnaval angolano tem condições culturais para atrair turistas, razão pela qual, torna-se urgente tornar a festa numa competição económica, não só entre grupos carnavalescos, mas principalmente entre empresas, que têm muito a ganhar com a exposição da sua imagem durante a festa.

Esta constatação é do secretário-geral da Associação do Carnaval de Luanda (APROCAL), António de Oliveira “Delon”, que reconheceu esta semana, ao JE que este ano houve menos contribuições dos principais patrocinadores do evento, mas que ainda assim o balanço é bastante positivo.
Para a edição de 2020, aquele responsável é de opinião que deve haver uma maior entrega das empresas, no que toca aos apoios financeiros para garantir e elevar os montantes dos subsídios para a organização dos grupos, de formas a permitir maior dignidade às suas apresentações. “Os grupos têm feito um grande esforço para se manterem intactos”, revela.

Rentalizilação do evento
Na sua visão, existem muitas formas de rentabilização da festa, que passam principalmente pelo lançamento do disco com as canções, o DVD e a revista do carnaval. Para ele, a realização da Feira do Carnaval, onde sejam expostos e leiloados as peças de carnaval é igualmente uma mais-valia para os grupos.
“Temos condições esculturais que atraem muitos turistas, facto que pode ser aproveitado pelas empresas para espalhar as suas marcas”, afirmou o responsável.
Por outro lado, António de Oliveira acha que o carnaval ainda não é tão valorizado por aqueles de quem se espera maior envolvimento, que são as empresas. “O povo quer festa, ama a festa, mas é necessário maior dignidade para que tal aconteça”, disse.
Os grupos investem mais de oito milhões de kwanzas na sua preparação e em contrapartida não recebem da Aprocal mais de 800 mil kwanzas cada de suporte. “É preciso inverter esse quadro nas próximas edições. É aqui que as empresas são chamadas a intervir”, disse.
De acorco com aquele responsável do Carnaval, está prevista para este ano a realização da primeira mesa redonda nacional que vai reflectir o Carnaval. “Será uma grande oportunidade para analisarmos as próximas edições no geral. Vamos também falar com os grupos, sobre as melhores estrategias de rentabilização do carnaval”.

Premiados
Com relação ao valor dos prémios de três milhões de kwanzas para o primeiro classificado, o segundo classificado, dois milhões de kwanzas e terceiro classificado, um milhão e 200 kwanzas, não dignifica a festa. “Temos que verer isso para termos uma festa digna da nossa cultura”, concluiu.