Em declarações à Angop sobre “o estado da literatura infantil no país”, o escritor referiu ser fundamental um maior investimento e incentivo governamental e empresarial de maneira a se promover o hábito e gosto pela leitura.
Dario de Melo afirmou que a nível do país quase não se publica, excepto as escritoras Cremilda de Lima e Maria Celestina Fernandes que lançam anualmente um livro no mercado, que, no seu entender, é insuficiente para dar resposta aos anseios e necessidades do mercado.
No seu entender, a fraca publicação é resultante dos custos elevados de produção relativamente as ilustrações, impressões e edições.
“Qualquer livro de literatura infantil no país custa três ou quatro vezes mais caro que um livro de literatura infantil publicado em Portugal. É necessário que haja incentivo público-privado para que a edição seja interna, de formas a que o fluxo de produção seja em quantidade razoável que, em vez de mil livros por edição, se produza 20 mil livros em cada título, de modos a satisfazer o gosto e as necessidades das crianças,”reforçou.
Dario de Melo enalteceu também a iniciativa dos super mercados que dentro dos seus projectos colocam uma livraria interna para a comercialização de obras de escritores angolanos.
“Devem aproveitar o máximo os super mercados com livrarias, por serem locais onde as pessoas afluem na busca dos bens essências, devendo assim aumentar o volume de livros nos estabelecimentos e ajudar na campanha de leitura com obras literárias infanto-juvenis e cor-de-rosa para os mais adultos.
Para o escritor, os livros devem ser comercializados a preço módico de modo a que criança estando nos locais de venda possa escolher o livro que quer.
Dario de Melo nasceu em Benguela a 2 de Dezembro de 1935. É escritor, jornalista e professor, membro da União dos Jornalistas Angolanos, da União dos Escritores Angolanos, da qual foi presidente da assembleia-geral entre 1992 e 1994. Editou várias obras no âmbito da literatura infantil e juvenil, com um total de 18 títulos, dentre os quais “As sete vida de um gato”, em 2002, com qual conquistou o prémio dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), em 1998.