O plástico é mau para o ambiente, não há dúvidas sobre isso. O seu fabrico cresceu exponencialmente nas últimas décadas. Em 2016, a produção mundial de plásticos totalizou cerca de 335 milhões de toneladas, 60 milhões só na Europa, segundo os dados do Portal Statista. A China é o maior produtor, com um quarto do total. Também sabemos que uma imensa quantidade de plásticos acaba a flutuar nos oceanos, onde gigantes “ilhas” de lixo põem em causa o ecossistema marinho. No entanto, dois estudos recentes mostram resultados surpreendentes quando se compara a pegada ecológica deixada por um vulgar saco de plástico com as de outro tipo de sacos reutilizáveis, como os de polipropileno (plástico mais duro) e mesmo os de algodão. O estudo da Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca (na dependência do Ministério do Ambiente e Alimentação), conhecido em fevereiro, demonstra que um saco de algodão orgânico tem de ser utilizado 149 vezes de forma a compensar o seu impacto climático comparado com as 43 vezes de um saco de papel. Além disso, o saco têxtil tem de ser usado 20 mil vezes (sim, 20 mil) se tivermos em conta todos os parâmetros utilizados no estudo. Esta investigação, que mediu o ciclo de vida orgânica de sete materiais comuns usados para sacos de compras, identificou os materiais mais nocivos em 16 parâmetros ambientais diferentes, como o impacto climático, no ozono, a toxicidade humana e ambiental e o uso da água na sua produção. Os resultados indicam que o vulgar saco de plástico tem, de longe, menor impacto no ambiente. De referir que o estudo focou-se na identificação do número de vezes que outro tipo de sacos têm de ser reutilizados com base no desempenho ambiental do vulgar saco de plástico.