Com objectivo de divulgar “A Dimensão Cultural de Agostinho”, Luanda acolheu um colóquio onde vários académicos abordaram a figura do Poeta Maior. Na ocasião, Jomo Fortunato, presidente do conselho de administração do Memorial, disse que Neto deve ser falado todos os meses, ou seja Neto é intemporal, assim como é uma figura que ainda tem muito para estudar-se sobre a sua vida e obra. “Nós temos território da vida e obra de Neto que não são conhecidos, quer na dimensão política quer na literária.”
Jomo Fortunato disse que o colóquio apresentou dois momentos importantíssimo que, na sua óptica, os jovem devem absorver, não só os que estão a fazer trabalho sobre Agostinho Neto, nos institutos médios e nas universidades, mais também para a sociedade. Os temas em debate foram a “Literatura de Neto e Consciencialização Cultural”, apresentada pelo jornalista e escritor Norberto Costa, e “Análise Psicocrítica da Prosa de Agostinho”, de Hélder Simbad.
Jomo Fortunato disse que a sociedade vai ter sempre a necessidade de estudar Neto em várias vertentes. “Com a realização do colóquio, penso que os jovem vão se sentir mais motivados para investigar mais a vida do Poeta Maior.”
Na sua perspectiva, os professores de língua portuguesa e os de literatura devem apresentar mais propostas de distensão da própria obra de Neto para os trabalhos de fim do curso, pois como sublinhou “assim teremos um Neto
mais estudado e eterno”.
A mestria e intelectualidade com que António Agostinho Neto escrevia as suas obras literárias, como o caso do conto “Náusea”, foi apontado como um instrumento estratégico que serviu para denunciar os actos dos colonos e alertar similares. De acordo com a escritora Domingas Monte, que falava durante o colóquio sobre Neto, a sua obra não é uma simples narrativa, apesar da sua curta extensão, mais um conjunto de denúncias, escritas num período de opressão.
A escritora avançou ainda que o texto Náusea é, segundo os registos históricos, a única obra literária de Agostinho Neto, do ponto de vista ontológico-conceptual, no âmbito das categorias modais referentes a narrativa lírica e dramática, sem as mestiçagens possíveis.
O contributo do pensamento cultural de Neto foi fundamental para a dinamização das artes, bem como na democratização cultural, afirmou o jornalista Norberto Eduardo da Costa.
O articulista disse ainda que a conscientização das realidades culturais e sociológicas africanas marcou o processo de afirmação da
geração literária de Neto.
Considerou o primeiro Presidente de Angola como um dos expoentes máximos da identidade cultural colonial, cuja as raízes se encontram mergulhadas na cultura africana.