A Fitch manteve na passada quarta-feira o “rating” da dívida soberana de Angola no nível ‘B’, abaixo da escala de investimento, ou ‘lixo’, melhorando a perspectiva de “negativa” para “estável”, face à subida da cotação do petróleo e apoio do Fundo
Monetário Internacional (FMI).
Na avaliação, segundo um documento a que o JE teve acesso, a agência refere que esta melhoria na perspectiva sobre Angola, na notação do risco da dívida externa de longo prazo (Long Term Foreign-Currency Issuer Default Rating - IDR) “reflecte melhorias na gestão do regime cambial”, bem como a adopção pelo Governo de “uma agenda de reformas ambiciosa”.
A “materialização” de um programa de assistência pelo FMI servirá “como um factor positivo adicional”,
aponta a agência de rating.
A Fitch acrescenta que as perspectivas de recuperação económica de Angola “melhoraram significativamente” em consequência da subida do preço do petróleo, mas também com “os ajustamentos monetários e fiscais” em
curso por parte do Governo.

Medidas aprovadas
O ajuste cambial iniciado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) em Janeiro de 2018, que já levou a uma desvalorização do kwanza face ao euro de quase 32 por cento, com a taxa de câmbio formada a partir de leilões de divisas, é considerado pela Fitch como o “desenvolvimento mais importante” preconizado
pela nova governação.
O FMI disse que as condições do programa económico de apoio a Angola são iguais as de um programa de assistência financeira, “exigindo-se
o mesmo padrão às políticas”.
O Governo angolano está a realizar um “roadshow” em várias praças internacionais, onde está a apresentar aos investidores aquela que será a segunda emissão de dívida pública em moeda estrangeira (‘eurobonds’), a realizar em maio, no valor de pelo menos 2.000 milhões de dólares (1.650 milhões de euros).