O crescimento de um dos bairros mais famosos da capital do país, Luanda, é visível até aos olhos de quem nele apenas passa, às vezes, mesmo por uma necessidade geográfica, comercial ou ainda por imposição laboral, pela sua localização estratégica que leva qualquer um ao Sul da cidade e tem uma das principais rotas que escoa parte do trânsito da metrópole.
O bairro faz fronteira a Norte com o conhecido Rocha Pinto e a Sul com o Morro Bento. Apesar de ter surgido na década de 1990, fruto do processo de deslocação de pessoas vindas de outras províncias, forçadas, principalmente pelo conflito armado e em busca de melhores condições de segurança, face à situação de Angola, na altura, somente na década seguinte começa atingir o seu auge.

Antigos ocupantes
Antes deste processo, o bairro era habitado apenas por proprietários de lavras e pequenas fazendas. A vida era monótona, quase que não havia nada. Era uma zona apartada do desenvolvimento característico de uma cidade. Baptizado pelos primeiros habitantes que ali chegaram, devido ao estaleiro do Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK), o nome logo caiu na graça dos seus moradores, em parte devido a importância que tinha a referida empresa no desenvolvimento do país. A partir de 2000, o movimento de construção começou a ser intenso com os habitantes a venderem os seus espaços, face ao aumento do movimento migratório, que tornou Luanda um
destino dourado para todos.
Hoje, o Gamek é um bairro em franco crescimento, com tudo que justifica esse “boom”, desde áreas de lazer, bombas de combustível, bancos comerciais, stands automóveis, escolas públicas, colégios, igrejas, hotéis, clínicas privadas e infra-estuturas que ajudam a valorizar ainda mais a localidade, que pertence ao Distrito Urbano da Maianga, município de Luanda. Na verdade, é uma mística entre a modernidade e a antiguidade. Aquele bairro constitui o centro para se atingir a baixa de Luanda e a zona Sul da cidade.

Comércio local
O comércio formal e o informal fazem um casamento perfeito, embora feitos em locais opostos.Em matéria de oferta hoteleira, o Fleuma, o Aghata e várias pensões dão alento a quem queira um espaço de lazer. O Café da Vila é outro lugar que recebe gente ávida de diversão, aberto todos os dias, com o pico a partir de sexta à domingo. Pela sua localização geográfica, o bairro é agora um ponto obrigatório para qualquer cidadão que queira expandir o negócio desde farmácias, cantinas, armazéns,oficinas e muitos outros serviços.
É no Gamek onde está localizado o mercado do Catinton, que separa praticamente este e o Cassequel do Buraco, pelo bairro da Terra Vermelha e recebe parte do escoamento de produtos do campo que vem do Sul do país, a praça da Madeira, especializada na venda de material de construção e muitos armazéns com produtos diversos. Estes dois mercados movimentam diariamente centena de compradores, entre proprietários de restaurantes e similares, consumidores e até uma actividade de táxi intensa, que garante muitos postos de trabalho e o ganha-pão de muitos angolanos.
Um outro ponto de grande movimento é o Nosso Centro, onde o cidadão encontra quase todos os serviços, desde bancos, conservatórias, lojas, um parque de lazer e ainda neste perímetro, uma loja da cadeia Nosso Super. Do outro lado da estrada está o maior terminal de transporte terrestre interprovincial da Macon, que permite ligação por terra de todo país. É uma verdadeira transformação e desenvolvimento do bairro, que todos os dias se renova e contribui para a melhoria da cidade.

Serviços diversos
No âmbito a expansão de serviços, a banca não fica atrás. Hoje é visível a presença de agências do Banco de Comércio e Indústria (BCI), Banco de Poupança e Crédito (BPC), Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco Internacional de Crédito (BIC), Banco de Fomento Angola (BFA), Millennium Atlântico e outros.
O conhecido Feirão, stand de venda de automóveis a céu aberto, também está situado naquele bairro, recomendado para quem procura uma alternativa as grandes concessionárias. Também fazem morada por aquelas paragens, pizzarias, cantinas e universidades. Há salões de festa, cabelereiros espalhados por todo bairro, tascas, serviços de recauchutagem, barbearias, e muitos outros. As igrejas estão também em grande número, com destaque para a presença da Católica, Metodista, Universal e Bom Deus. Em suma, “o meu bairro tem tudo”, conforme cantou Dom Caetano, renomado músico dos Jovens do Prenda.

Visão de um ancião
Por exemplo, Jorge Barros, de 70 anos vive no bairro desde a década 70, considera notar um desenvolvimento com uma viragem de 100 graus. Quando lá foi viver, considerou, Gamek era um verdadeiro matagal. “As casas contavam-se aos dedos e todas de construção precária. Os habitantes para tratarem qualquer documento tinham que se deslocar ao centro da cidade, utilizando os únicos meios de transporte existentes na altura,
os chamados maximbombo”, disse.