Perceber os caminhos percorridos desde a aparecimento de uma galáxia, a sua evolução e morte é um dos objectivos mais ambiciosos da Astronomia. Para o fazer, a luz é a ferramenta principal. Estudar todas as componentes da mesma - infra-vermelhos, raio-X, luz visível, tudo o que compõe o espectro - é a única forma de o fazer, já que não podemos, pelo menos ainda, andar pelo Universo fora a recolher amostras de gás ou pedaços de estrelas.
Para estudar a radiação emitida, usam-se modelos matemáticos, que pretendem descrever o melhor possível o que se passa nestes ambientos ricos e tumultuosos. Só que até agora, todos os modelos usados não incluíam o gás. Ou seja, serviam para descrever as estrelas, mas quando chegava à parte do gás, começavam a falhar. O astrónomo Jean Michel Gomes, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, decidiu corrigir esta falha e a sua equipa começaram a procurar modelos matemáticos que pudessem ser mais exactos. E lembraram-se de recorrer a um conhecido algoritmo genético - um modelo matemático que descreve o ADN e a forma como os organismos vivos se reproduzem e morrem. Considerando a galáxia como um organismo único, as bases que compõem o ADN passaram a ser os elementos que caracterizam as galáxias.
E tudo começou a bater certo.