A exposição, que começou, ontem quinta-feira, assinala os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci e vai ser a maior de sempre. Com obras vindas de todo o mundo, a exposição demorou 10 anos a ser organizada.
A maior exposição sobre Leonardo da Vinci, com cerca de 160 obras do artista, entre quadros, desenhos e manuscritos, abre esta semana no Louvre, com um desenho chegado do Porto, que o comissário francês considera “muito importante” no percurso do mestre.
“Este desenho é muito bonito, contém muita emoção e representa uma mulher jovem que lava os pés de Jesus. É uma forma muito original de ilustrar o tema da Virgem e o Menino”, disse à agência Lusa Vincent Delieuvin, conservador chefe da pintura italiana no Museu do Louvre, e comissário desta exposição, junto ao desenho emprestado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Este desenho faz parte da maior exposição dedicada a Leonardo da Vinci, jamais organizada, que decorre no Museu do Louvre, em Paris, a partir desta quinta-feira, onde fica até 24 de fevereiro, assinalando os 500 anos da morte do mestre da Renascença.
Este reencontro entre quadros – estão presentes 11, dos cerca de 20 que são atribuídos a Leonardo Da Vinci –, desenhos e manuscritos vindos de todo o mundo demorou cerca de 10 anos a ser organizado pelo museu francês, mas conhecer o artista foi o maior desafio, segundo o comissário.
“A maior dificuldade foi mesmo Leonardo da Vinci. É um artista extremamente exigente, que requer muito trabalho científico e também histórico. Portanto, a maior parte do tempo foi dedicado a conhecer Leonardo da Vinci. Claro que a organização também foi espinhosa e difícil porque as instituições que têm obras de Leonardo da Vinci não se querem separar delas, mas, apesar de tudo, conseguimos muitos acordos e conseguimos fazer esta reunião de 160 obras, cuja maioria nunca foi mostrada em conjunto” indicou Vincent Delieuvin.
Entre os maiores empréstimos está o acervo de manuscritos que pertence à Rainha Isabel II, mas também a “Virgem Benois”, vinda do Museu Hermitage, ou ainda “São Jerónimo no Deserto”, que veio do Vaticano.
A grande ausente do espaço da exposição é mesmo “Mona Lisa” ou “Gioconda”, que ficará na sua sala de sempre, recentemente renovada, junto à pintura veneziana, noutra ala do museu.
“Não foi uma escolha, adorava poder tê-la ao pé das outras obras. Mas ela tornou-se noutra coisa. É um ícone que as pessoas de todo o mundo vêm ver e que querem fotografar. Ela recebe diariamente 30 mil visitas. […] Pô-la aqui criaria engarrafamentos incontroláveis e tornaria a visita impossível aos fãs de Leonardo da Vinci”, explicou Vincent Delieuvin.
A organização espera cerca de 600 mil pessoas até fevereiro neste percurso sobre a vida do mestre italiano, que passa pela sua descoberta das formas, a liberdade criativa, a ciência e a sua vida.